domingo, 7 de julho de 2013

Chaves, no regresso!



Reencontramo-nos com o nosso país, em Chaves, após percorrer as auto-estradas de Espanha, desde Leão. 
A cidade recebe-nos com um semblante carrancudo de nuvens negras e com algumas gotas de chuva fria.

Estacionamos na margem do Tâmega para passar o resto do dia e pernoitar, pela primeira vez, nesta cidade do interior. 

As águas deste calmo rio dão-lhe uma beleza peculiar.

As suas margens são como que um palco onde pessoas anónimas caminham apressados e de rostos fechados, quem sabe, ruminando os propósitos de que se faz as suas vidas. 

Talvez por isso, o semblante de quase todos parece-me nostálgico e apreensivo. 

 No final da viagem, que nos levou até à Normandia, um sentimento paradoxal invade-me a alma. 

Por um lado, é a saudade a empurrar-me para mais perto dos afectos, razão de ser da nossa vida. 

Por outro, liberta-se de mim uma nostálgica emoção pelo regresso a um país que, de momento, preferia mais afastado.

Porventura, porque estas viagens fazem de mim, cada vez mais, um cidadão do mundo. 

 Mas, também, porque este meu país permanece idêntico ao que o Eça pintou na sua magistral prosa: pequeno de alma, invejoso por natureza, saloio por devoção, bisbilhoteiro quanto baste e egoísta por tradição. 

Não aprendeu nada com a passagem do tempo.

Prefiro pensar que talvez este seja um pensamento injusto que se liberta de mim num momento de imensa nostalgia que a meteorologia de Chaves aprofunda! 

Fotos: CG e Tonicha

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Pelo Reino de Leão




Fim de tarde.
Estamos em Leão, município de Espanha, da Comunidade Autónoma de Castela e Leão.

O dia esteve muito agradável. Um dos mais quentes desta viagem à Normandia.

Acabamos, há momentos, de percorrer a marginal do rio que atravessa a cidade e visitamos o «Hostal de San Marcos».

Trata-se de um belo exemplar da arquitectura renascentista, construído no séc. XII para albergar os peregrinos que demandavam Santiago de Compostela.

Um fantástico restauro transformou-o num hotel de luxo e numa excelente atracção turística.  

Na Praça de San Marcos, frontal ao Hotel, admiramos a estátua em homenagem ao peregrino que descansa do seu duro «Caminho de Santiago».

Mas, o edifício mais nobre de Leão é a sua catedral, de ricos vitrais que, segundo a informação aí disponível, cobrem uma área de cerca de 1.800 m2.

Ao entardecer, regressamos ao conforto da Micha.
Fez-nos companhia a Elsa Ramalho com a melodia «que bom estar contigo de novo!» e o vinho alentejano, saboreado na perfeição.


A Tonicha entretém-se na confecção do jantar, enquanto o meu olhar se perde na visão desta praça onde vamos pernoitar.

A voz magnífica da Elsa desperta a memória dos nossos afectos que ansiamos por abraçar, após as duas semanas de ausência. 

É bom viajar. 
Mas, na hora de regressar, parece que mergulhamos na felicidade do reencontro. 
Lá fora, o céu encobre-se de algumas nuvens altas. Mas o calor mantém-se, apesar da brisa suave e reconfortante.

 Fotos: CG

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Por terras de Castela


Miranda de Ebro


 Miranda de Ebro não encantou. 
A AS para autocaravanas é acanhada e desorganizada.
Pernoitamos aí com mais uma dúzia de autocaravanistas. 
A noite foi penosa de passar, devido ao som de batuque oriundo de uma qualquer discoteca adjacente. 
Após o encerramento, os jovens fizeram a algazarra etílica castigando os que teimavam em adormecer.

Arco de Santa Maria
Logo pela manhã, rumamos a Burgos. Uma grande urbe que nunca tinha visitado, apesar de já, por várias vezes, ter percorrido as «carreteras» que demandam os Pirenéus e vice-versa.

As ruas amplas e limpas, aqui e ali com esculturas que obrigam o visitante a demorar-se nos jardins onde repousam, emprestam um ar de metrópole a Burgos.

Catedral de Burgos
A cidade acolhe a terceira Catedral de Espanha, erigida em 1221. 

De estilo gótico, a sua fachada principal ostenta as agulhas rendilhadas que se avistam de quase todos os pontos da cidade.
Uma das entradas para a praça da catedral faz-se pelo monumental «Arco de Santa Maria», adornado com estátuas e torreões. 

Uma entrada imponente para um recinto onde se preserva todo um ambiente de tempos imemoriais.
Sem dúvida, uma jóia arquitectónica de Castela!

 Fotos: Tonicha

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Praia Milady - o paraíso em Biarritz!




Finalmente um banho de mar sob um sol bem quente. Ontem, saímos de Saumur com uma chuva branda que durou o dia todo. 

Ainda procuramos um parking de motorhome’s em Bordéus. 

Mas o local não nos parecia seguro pois sentia-se o cheiro a droga oriundo de uma casa semi-abandonada de onde entravam e saiam rostos esqueléticos que denunciavam consumições de ressaca. 
Se assim era à luz do dia, pensamos que a noite seria de escassa segurança. 

Pelo que optamos por voltar à estrada, em direcção a Castets, na região das Landes, para pernoitar no Camping Municipal «Le Galan».

Noite calma e de sono pesado.
De manhã, fizemos cerca de 60 quilómetros até Biarritz, junto da magnífica Praia Milady. Um local paradisíaco.
 

Um passeio pela marginal revelou-nos a imponente beleza desta instância balnear, um dos locais de veraneio mais cobiçados pela burguesia francesa e europeia do século XIX.

O grande número de surfistas numa das três praias de Biarritz confirmou-nos a fama de que aqui existem os melhores recursos para surf da Europa.

As vistas da costa são de conter a respiração, sobretudo num dia tão aprazível como o de hoje.

Ainda por cima, ao entardecer, Biarritz  brindou-nos com um extraordinário pôr-do-sol, captado no preciso momento em que um barco pesqueiro se posicionou no seu meio.
 

 Fotos: CG