Na primeira semana de Julho, visitamos, uma
vez mais, a Ilha de S. Miguel, a maior dos Açores. Terra de lagoas imensas, de
florestas místicas, de miradouros sublimes e de vales encantados, S. Miguel é
uma excelente síntese do arquipélago.
Ponta Delgada é a capital da Ilha que
impressiona pela sua beleza. As «Portas
da Cidade», seu principal ex-libris, com as arcadas voltadas para o mar,
parecem dar as boas-vindas a quem chega.
O casario pitoresco, de ancestrais usos e
costumes, cativa os visitantes logo de início. Apesar de algumas fachadas
senhoriais de azul celeste ou amarelo forte, o edificado, em geral, é branco
com cantarias em basalto negro.
Percorrer as estradas em S. Miguel é fruir do
verde imenso, ladeado pelo azul de mar, e sentir uma fragrância agradável que
as hortênsias exalam. Percursos íngremes alcançados a custo para, logo depois,
fruir de paisagens e lonjuras de cortar a respiração.
Apesar do nevoeiro turvar a visão, no Miradouro da Vista do Rei o espanto dos rostos é notório em todos os que admiram as águas verdes e azuis lá em baixo. A atracção é tão grande que apetece ficar por ali tempo sem fim. Mas a curiosidade desafia-nos a descer até junto das águas como que para confirmar o esplendor das alturas.
Ziguezagueando pela montanha, subimos ao ponto
mais elevado da Ilha de S. Miguel, chegando à Lagoa do Fogo, imenso espelho de
água cercado de muita vegetação.
As fumarolas que
brotam da terra e as ferventes águas, que gorgolejam calor e espalham o forte
odor a enxofre, fazem-nos cismar nos mistérios que inspiram as energias mágicas
do nosso mundo natural.
A Poça da D. Beija, idílico espaço termal ao
ar livre, oferece-nos um tempo para relaxar nas águas quentes que correm por diversos
tanques, sempre repletos de turistas. Com água a atingir os 39º, todo o local
apresenta-se bem cuidado e com excelentes condições.
No último dia, tivemos a sorte de assistir à
preparação do encerramento das festividades ao Divino Espírito Santo que os
açorianos cultivam com um extraordinário fervor e fé.
Este povo, que viu a sua
terra sujeita, vezes sem conta, a tragédias da natureza, agarra-se a uma comovente
religiosidade que lhes fornece a energia bastante para recomeçar a vida sempre
que necessário.
Foram sete dias de emoções fortes de que já se
sentem saudades. Mas, por certo, voltaremos um dia a fruir da admirável hospitalidade
dos açorianos e a reapreciar o que de melhor existe numa ilha de beleza única e
repleta de história e tradição.