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sexta-feira, 22 de abril de 2011

A nossa casa comum!

Adquiri a «Micha» há três semanas apenas. Ela já me proporcionou sensações de liberdade quando me permitiu ouvir o som do mar e o cheiro a maresia. Quando a noite, vestida de luar, se fez acompanhada pelo ronronar da rebentação e a madrugada nasceu de sol aberto e vento sereno e acolhedor.
Foi um dia breve em A-Ver-O-Mar. Com passeio pela marginal ao romper do dia. O baptismo dessas andanças, que se fizeram sonho desde a juventude, não podia ter sido melhor. Pela primeira vez peguei na Micha e rumei para junto do mar. Onde me sinto acolhido quando a praia fica deserta de gente e o horizonte ganha um olhar a perder de vista.
Desde aí, a Micha tem ficado por casa: no local que foi propositadamente preparado para a receber. Visito-a diariamente para que melhor se sinta integrada na família. A burocracia da transição para a minha posse e a dependência, ainda por alguns longos meses, das rotinas laborais, tem impedido que a desfrutemos como é o meu desejo e o da companheira de toda a vida.

Micha

Acolhedora quanto baste, a Micha sente-se preparada para percorrer mundo …  na busca da magia do contacto com a natureza, do convívio com outros povos e culturas e da sensação de pertença mais alargada ao planeta. Como pensava o Sócrates da antiguidade grega, também me sinto mais cidadão do mundo do que europeu ou português. No tempo em que as comunicações estão à velocidade da luz, as fronteiras terrestres são uma versão caduca dos quintais que a idade média reforçou. Hoje, não fazem mais sentido. As fronteiras terão que ser substituídas apenas pelo respeito que a dimensão cultural dos povos merece. Porque o planeta é a nossa casa comum que é preciso usufruir em liberdade e respeito.
Carlos da Gama