Mostrar mensagens com a etiqueta Viagem a Marrocos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Viagem a Marrocos. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Viagem a Marrocos - tempo de balanço!






O tempo não passa quando é de expiação.

Mas quando a aventura veste meus dias e a liberdade tem asas de mar, o tempo corre em bolina. 

Foi assim que aconteceu nesta minha primeira viagem a Marrocos.

Foi um reviver de aventura e um novo olhar que se espraiou.

Foi viajar sem peso e medida e repousar na suave brisa da maresia.


Mas, como em tudo na vida, também esta viagem chegou ao fim. 

Foram cerca de 30 dias de fortes emoções pela aproximação a uma cultura diferente daquela em que formei a minha estrutura de valores, mental e psicológica.


O que mais me impressionou naquele país do Norte de África foi a força do islamismo na vida das pessoas. 

Todos os dias, nos mesmos horários (4 vezes ao dia), do minarete da mesquita jorram palavras a apelar à oração, sempre iniciada pela frase «Allahu Akbar» (Deus é Grande). 

E é comum vermos pessoas, em algumas horas do dia, em oração, de bruços e virados para Meca, quer nas praças das grandes cidades, quer nos souks (mercados), quer nas praias, para além das mesquitas que se encontram junto de cada povoado, por mais pequeno ou interiorizado que seja.

Impressionou-me, também, o carácter do povo de Marrocos. 
 
Nunca senti qualquer olhar mais comprometido nem, tão pouco, qualquer sensação de insegurança.
 
O povo berbere é de paz e recebe bem quem os visita.
 

Não esqueço a muita simpatia de que beneficiei em algumas situações mais complexas da viagem, quer a nível do trânsito, quer de informações sobre determinada região ou quaisquer outros assuntos.

Fui berbere na questão do regateio – um hábito enraizado na cultura marroquina - quando comprava qualquer produto, conseguindo que, quase sempre, o preço baixasse para cerca de metade.

Adorei Marraquexe, uma cidade de trânsito caótico mas genuína na conservação dos costumes ancestrais. 

Admirei Rabat, a capital de Marrocos, e vagueei pelas estreitas ruas da sua Medina em pleno dia da festa do carneiro.
 
Aí fiquei chocado pela quantidade de peles destes animais, todas ainda com sangue fresco e de forte odor característico, a serem comercializadas pela gente dos curtumes.
Impressionou-me ver as fogueiras acesas pelos mais pobres da sociedade para aí cozinharem as cabeças dos carneiros que eram desprezadas pelos donos dos mesmos. 


Marrocos é um país de belas paisagens, quer ao longo da costa atlântica, quer mais no interior montanhoso do Médio Atlas. 








Se o oceano é calmo e quente,onde as praias de areia finíssima se estendem a perder vista, as aldeias encaixadas nas montanhas são de uma beleza ímpar.

Apenas um senão: 

o grau de pobreza visível, quer nas grandes cidades, quer nas aldeias mais recônditas.

Apesar de tudo, estava à espera de pior.


Nota-se que Marrocos está a ter um desenvolvimento notável a nível das infra-estruturas e do ensino. Oxalá seja perene!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fátima, de novo!



 



De Coruche a Fátima o tempo esteve sempre carrancudo e com alguma chuva. 
Já nas serras de Aire e Candeeiros fomos bafejados com um belo arco-íris como que a confirmar que por cá o Outono já faz o seu caminho.
 
Fátima é um local que sempre procuro nos percursos para o sul do país. 
Mas não é o apelo da fé, ou da crença que neste Santuário apareceu a Virgem Maria, que aqui me traz. 

Pertenço à turma dos que respeitam o culto mariano e, sobretudo, a fé dos milhares de peregrinos que, todos os meses, aqui vêm lavar a alma e cumprir as promessas das suas vidas.
 
No entanto, a força que me impele a vir aqui é outra: nesta cova respiram-se os silêncios de que a minha alma carece. 
E eu amo os ambientes que proporcionam recolhimento e ajudam a olhar para dentro de nós.

Tal como os crentes, eu gosto de aqui fazer um balanço do que passou e perspectivar o futuro próximo da minha vida. 
E este ambiente é propício a esse cismar.

Agora mesmo, ouço, na torre do Santuário, as badaladas das 12.00 horas e a sonoridade que dali emerge é também de emoçaõ e recolhimento.

Apesar de discordar dos milionários investimentos que a Igreja tem feito, beneficiando da fé dos peregrinos, acho muito belo este recinto. 
A Igreja da Santíssima Trindade é de um fausto que impressiona. 
Não seria necessário, certamente. Mas é uma obra de arte de excepção.

Sempre que cá estou, gosto de me aproximar da imagem de fé, sofrimento e resignação do Papa João Paulo II. 

Este foi um Papa que me sensibilizou positivamente. 
O seu testemunho de vida interroga-me e deixa-me confuso e inquieto. 
Faltou-lhe, porventura, um olhar mais presente aos pobres e iniciar o combate ao ritual de riqueza que o Vaticano exibe.

Vivi já uma vida feita de muitos caminhos. 
Cheguei a uma encruzilhada que desejo decifrar. Só que não almejo saída. 
Quem sabe se um dia o sol de inverno me vem confirmar a direcção certa para uma última viagem. Quem sabe!