Um espaço de liberdade, um sonho concretizado ... um correr mundo para viver e saborear a natureza. Aqui deixarei impressões misturadas em emoções. Este cantinho de mim procurará ser uma partilha de partidas e chegadas... porque o meu sonho foi, sempre, sempre, o de partir e chegar! Como dizia Alexandre O'Neill: «há mar e mar... há ir e voltar!». Pois.... sirvam-se, por favor!
domingo, 16 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
quando um homem quiser ...
Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitros de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um Homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
José Carlos Ary dos Santos
imagem: Google
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Certeza de azul e mar!
Ultimamente, encontrava-o um pouco calado, cabisbaixo, quiçá,
um pouco humilhado. Sabia que o Outono amadurecido lhe moldava os humores. Todos
os anos era assim. Mas, este Novembro mostrava-se mais acabrunhado com a
vida.
Sempre foi um espírito introspectivo. Apesar de aparentar uma
força diferente para os afectos de maior proximidade, os últimos dias desviaram-lhe
o olhar para um estádio de melancolia e enternecimento.
Sempre se esforçava por emprestar mais cor à sua vida
solitária. Fazia o possível para ter em mãos alguma bricolage que lhe consentisse
isolar-se do mundo e dos pensamentos mais amigos das consumições que o traziam
cativo, faz tempo!
Nada disto acontecia quando a imaginação se inibia de aquecer
a alma nas margens frias do Inverno. Transformava-se um tormento cada
minuto que passava. Apetecia-lhe ligar as asas e voar na companhia dos pensamentos
mais libertários. E, quando a isso se permitia, o mar era o seu porto de
abrigo. Como sempre!
Por vezes, detinha-se a ruminar as memórias dos tempos
felizes passados sabe-se lá onde. Como uma gaivota que sobrevoa, pelo entardecer, as generosas falésias da saudade e maresia. Desses momentos, de pura magia, emergiam os
que se abrigavam nas águas mansas do estuário da vida, como que numa fénix sempre renascida.
Outras vezes, o mar do norte fazia-lhe frente com a bonomia
dos passeios solitários junto da espuma aflorada do encontro das águas com o amplo
espraiado. Era uma ilusão de regresso à paz que essa odisseia lhe anunciava.
Quando estendia o olhar pela maresia, até ao horizonte, o seu
pensamento detinha-se lá ao longe, atravessava o abismo do extenso atlântico
para se aprimorar nas praias quentes donde se fabricavam sonhos de liberdade e
poesia.
Mas, não raras vezes, dava-se conta que a realidade era muito
mais austera e prisioneira de um destino que exige ser cumprido. Como um vento
que sopra de um país imaginário, também o seu pensamento voltava ao cais dos
barcos de velas contidas.
Via passar o tempo como uma miragem de saudade. E, olhando mais
adiante, adivinhava um caminho que retomava o fado que algures tinha perdido. A
sua esperança era que, apesar de curto, o haveria de percorrer com a ousadia
que tinha sido a sua imagem de marca ao longo de décadas. Numa certeza de azul
e mar!
domingo, 18 de novembro de 2012
Levar-te-ei na barca ...
| Carlos da Gama |
Esta ternura
que a maresia transporta
Ilusão de
sonhos que desaguam bem longe
Angústia breve
que a quimera comporta
Sombras que bailam com vestes de monge!
Lembranças
fugazes de histórias vividas
De breves
ousadias dissipadas em vão
Abismo de
vozes e de palavras perdidas
Para lá da utopia, mas junto ao coração!
Perspectiva
tranquila de largo horizonte
De inspiração discreta e ambígua loucura
Aflora magia
quando olhamos defronte
Desassombro,
coragem e sagaz aventura
Percebendo
o tempo mais próximo do fim
Estarei a
navegar entre as margens da ria
Levar-te-ei
na barca que faz parte de mim
Para que,
após eu zarpar, não fique vazia!
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Mar sonoro ...
| Foto: Carlos da Gama |
«Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.»
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Estados de alma …
| Foto: Tonicha - Pardilhó (Aveiro) |
Vagueando por estrada sem vizinhança
travestido de figurante
caído em cilada
rondando sem rede e
qualquer segurança
como animal inquieto no
meio do nada
Sou raiva serena nesta
noite de breu
e bruma suave em chão de lua cheia
sou fome de paz num espaço
só meu
e brisa que desperta esta
nobre ideia
Sou tumulto d’alma que emerge
em segredo
e orador de sonhos sem
qualquer plateia
sou chama mortiça numa
espécie de enredo
e espuma de mar que se
desfaz na areia
Meu peito não dorme nas noites
inquietas
suspenso, há muito, em
nuvens de Outono
e o coração sufoca em
vertigens funestas
como cão doméstico que
ficou sem dono
Meu sonho maior é partir
clandestino
de alma resgatada e desfeita
em vento
tendo os afectos cumprido
seu destino
também para mim é chegado o momento
Sei que meus versos, quase
sempre, deprimem
por não ter um jeito de
ser mais frontal
mas são estados de alma
que eles exprimem
por isso, vos peço, não os
leveis a mal!
Subscrever:
Mensagens (Atom)