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terça-feira, 7 de março de 2017

Vigilia






Altas horas da noite.
Acordado,
Rememoro o passado,
Analiso o presente
E adivinho o futuro.
Procuro,
Humanamente,
Dar sentido
Ao que fui,
Ao que sou
E ao que serei.
Mas a minha verdade
Não tem a claridade
Da razão.
É esta aflição
     Continuada
     Que no meu coração
     Bate descompassada.
                 
 
                            Miguel Torga (Diários XV)




quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A briga

 CG


Afirmas que brigámos. Que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão.
Que vais deixar aí a tua chave
E vais à cave içar o teu malão.

Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembranças? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo – é minha – a tua pele.

Achei ali um sonho muito velho,
Não sei se o queres levar, já está no fio.
E o teu casaco roto, aquele vermelho
Que eu costumo vestir quando está frio?

E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
É meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?

A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que faço das praias que não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?

Dividimos ao meio as madrugadas?
E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas?
De quem é esta briga? Não me lembro.
                                                           Rosa Lobato de Faria

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Esta saudade …





Ai este tempo sem alquimia
orfandade já sem memória
alma errante sem harmonia
fúria esquiva e sem glória!

Pesadelos que são de chumbo
terra sagrada que foi embora
esta saudade em que sucumbo
doce imagem, brisa d'outrora!

Olho as margens deste destino
cumprem, ainda, o sonho maior
viver a utopia de um peregrino
seguir a ideia para onde ela for!


segunda-feira, 18 de julho de 2016

Sonha!



Agarra as palavras...
vem comigo
ao mosaico eterno
da cidade
Abre-te para ver a nudez
da vida e os sons
da monotonia

Absorve a paz do poema
que se espraia
na maresia

Espera o tempo novo
que se desdobra
no horizonte
Constrói um futuro
ao som do vento 
até que a madrugada
desponte

Sonha!

domingo, 8 de maio de 2016

meu mundo amuado!


Gimont - França










trago comigo a saudade
memória que voa, voa…
veste asas de orfandade
e chuva de vento na proa

névoa em rostos dispersos
leve rumor de tons quentes
tempos vadios  ou inquietos
vêm e vão-se em repentes

emergem fugazes lembranças
de certos instantes felizes
vagos sonhos e esperanças
irrompem também das raízes

mas este vagido imperfeito
dum cismar meio estagnado
com a alma a sair do peito
traz o meu mundo amuado!



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Almas que ardem




Sons longínquos da cidade
Rumor estranho e bizarro
Sonho o sonho da saudade
De um destino conturbado

Pressenti tua a viagem
Por entre várzeas e montes
Conferi a cor da miragem
Que brilha nos horizontes

Almas que ardem no mar
Quando surgem as marés
Ilusões esvaem-se pelo ar 
Vão no vento de lés-a-lés

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Partir …




Brisa de  longe
sossego perdido
silêncios de monge
desgosto contido

Momentos libertos
espuma dos dias
olhares inquietos
emoções tardias


Fugazes lembranças
instantes felizes
suspiros de esperanças
fluem das raízes

Passado imperfeito
meu mundo proibido
bem triste e amuado
por teres partido
sei lá para que lado
neste tempo parado!                                                                                                            Carlos da Gama (Julho/ 2015)

sábado, 28 de março de 2015

Saudade






Saudade é um barco à vela
Surfando ventos banais
Vive a solidão duma viela
Sem nunca esquecer o cais!

Saudade é viagem sem destino
E um amanhecer cor de safira
Murmúrios breves de menino
Doce ternura que nunca expira!

Saudade é remanso de palavras
Relatos de tramas intemporais
São horas e tardes encantadas
Fascínio que fruirei jamais!

Saudade é mar a perder de vista
Furacão de mágoa e nostalgia
É o nunca mais ter a desdita
Do abraço com cheiro a maresia!

Saudade é uma estrada larga
Veredas de um silêncio triste
É pesar e dor pela retirada
Que nem eu, nem tu previste!
                                                                                                            Carlos da Gama (Março/ 2015)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Mágoas de orfandade!


(CG)

           
Olho este mar demasiado inquieto
Vem fustigado por um vento veloz
O seu assombro eu quero por perto
Nunca me canso de ouvir a sua voz!

Observo o horizonte além da bruma
Meu pensamento distrai-se por lá
Parece que a neblina já se acostuma
À imensa tristeza que não findará!

Perseguindo a custo o areal deserto
Não almejo vivalma, tão-só solidão
Indago às musas pelo céu encoberto
Onde andam os afectos do coração!

Meu sonho de espuma foi remexido
Pela nostálgica e taciturna saudade
Escrevo na areia um sofrer sentido
Por soturnas mágoas de orfandade!

                     Carlos da Gama (Dez. 2014)