sábado, 4 de fevereiro de 2017

Lagoa de Óbidos





Esta é uma instância que sempre procuramos quando rumamos a sul. 

A visão da Lagoa de Óbidos emerge sempre como uma novidade, por muitas vezes que visitemos o local.
 
Está muito frio mas os raios solares amaciam o ambiente e permitem um acolhimento mais aprazível neste cantinho do Oeste do meu país.

Amo especialmente os silêncios que se ouvem, só perturbados pelo bruaá de alguns pescadores que se afoitam no lançamento do anzol e trocam mansos diálogos com os companheiros de faina.

Um passeio ao longo da Lagoa, debaixo de um sol de fraca intensidade e de um céu azul, é um cenário sublime e sugere o alongamento do pensamento para estágios da memória revivida.

É fácil, nesta caminhada, rememorar a vida no que tem de melhor, sobretudo, no que passou e deixou saudades.

O final da tarde na Foz do Arelho é mágico quando o pôr-do-sol se espreguiça num horizonte de cores soalheiras e se reflecte no imenso espelho de água que temos pela frente. É um deleite contemplar as luzes das moradias a anunciar o final do dia e as mansas águas da Lagoa numa tranquilidade que impressiona.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Zona põe «cobro» à viagem!



A noite foi a mais fria de sempre que passamos no Algarve. Só, mesmo, a cama quente de mantas fofinhas ajudou a suportar o ar gélido que ambientava a Micha.
De manhã, para nosso espanto, começaram a cair farrapos brancos de uma chuva espaçada que, lamentavelmente, não conseguiram pintar o chão. 

O céu estava encoberto por nuvens baixas e escuras e as previsões anunciavam borrasca para todo o dia. Daí que abreviasse-mos o regresso, passando por Mértola e Beja e pernoitando em Évora. 
Apesar da brisa fresca que se fez sentir em todo o país, o Alentejo apresentou-se de céu limpo e com um sol que, sendo tímido, tornava mais acolhedor o ambiente.
No entanto, hoje, fui surpreendido com o surgimento de borbulhas, espalhadas pela região do abdómen e do dorso lombar. A noite tinha sido de vigília porque as dores não permitiram descanso. Há já cerca de três dias que o corpo emitia sinais de alarme sem que imaginasse a causa de um mal-estar crescente.
Em Évora procurei um Centro de Saúde para colher um diagnóstico clínico e, eventualmente, obter a prescrição dos fármacos necessários à debelação do problema.
- «É a Zona que você tem!» -, foi a sentença do médico imediatamente após eu ter ficado de tronco nu. 

Confidenciou-me que no Alentejo esta doença é popularmente conhecida por «cobro» e declarou que tinha pela frente várias semanas de dores intensas, apesar dos fármacos para atenuar as dores e de um antivírus para resolver o problema.
Na «Unidade Saúde Familiar Planície (Sede)», a que recorri como utente «esporádico», obtive um atendimento personalizado muito eficiente e o médico que me consultou demonstrou qualidades humanas e relacionais acima da média. Fica aqui o registo do meu agradecimento a todos!
Mas, após o veredicto clínico, sabia que uma outra decisão haveria de ser tomada: a Zona põe «cobro» à viagem!
Imagens: Google

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Um poema





«Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz
»
            Miguel Torga, Diário XIII

A paz entra pela alma dentro quando lemos este poema de um dos mais importantes poetas do século XX...


segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Alvor




Muitos turistas «de casa às costas», maioritariamente, ingleses, alemães e holandeses.
Na praia, apesar da brisa fresca, filha do frio que migrou da gelada Europa central para o nosso país, são muitos os que, de t-shirt de manga curta e, outros, de fato de banho, deliciam-se esticados ao sol.
Tenho para mim que o sul do país beneficia muito, a nível económico, com a estada dos «nórdicos» durante o inverno. 
Apesar da não ocupação de camas em hotéis, ouvem-se vários idiomas nos hipermercados e bares, numa orgia consumista que muito contribui para a dinamização do comércio em época baixa.
Daí que os poderes públicos desta região tenham construído, nos últimos anos, várias infra-estruturas para os acolher em condições satisfatórias.
O Alvor é um exemplo desta realidade. 
A excelente praia, com o mar de um lado e a ria do outro, cativa muitos autocaravanistas a permanecerem por cá vários meses. 
Durante todo o dia são muitas as pessoas que caminham pelos vários passadiços, por entre as dunas, aproveitando para fazer exercício físico e repousar o pensamento por um dos mais belos locais do sul do meu país. Mais ao fundo, são as rochas que escondem encantos que só o Algarve é capaz de oferecer.