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sexta-feira, 21 de março de 2014

Sonhos de areia




Gosto de retornar a este enorme recinto, junto da marina da Praia da Rocha. O areal está quase deserto de gente. Existe sol em abundância, mas a brisa fresca e a agitação das águas afasta as pessoas. Daí que o passeio, por entre as rochas douradas, seja de maior liberdade e maresia.

Durante a caminhada, um ou outro casal mais aconchegado às falésias fazem-me compreender que não estamos sós. 
De repente, surge pela frente um homem idoso, munido de uma geringonça de detectar metais e com uma pequena enxada ao ombro. 
Caminhava cabisbaixo, a sondar as areias, sempre na expectativa de que o aparelho emitisse algum sinal para, de seguida, cavar a área e encontrar qualquer «tesouro» perdido por turista mais incauto.
Aquela figura franzina trouxe-me à memória as «picadas» na Guiné, quando sondavamos qualquer mina assassina, ao tempo de guerra colonial. 
Mas, de igual forma, a expectativa, estampada naquele rosto enrugado e de tez morena, pareceu-me com a dos garimpeiros da selva amazónica que dedicam a vida ao sonho de um «tesouro» saído das areias removidas pelo suor da ilusão. 
Foi o esvoaçar de um bando de gaivotas que desviou o meu cismar para outras latitudes e a fruir o momento.
No passeio pela marginal, vimos pessoas a caminhar lentamente e outras com um ritmo mais ousado. 
As conversas que passam por nós têm o sabor de diversos idiomas europeus. 
De quando em vez, o vento é mais forte. Mas o sol, luminoso e quente, não o deixa incomodar. 
Está uma manhã que faz esquecer o inverno do nosso descontentamento.
O autocaravanismo é isto: percorrer territórios, admirar paisagens, buscar afagos do sol, caminhar por praças e avenidas, apreciar a gastronomia local e registar instantâneos para memória futura.


terça-feira, 15 de outubro de 2013

com certeza!



Chegamos ao Parque da Marina da Praia da Rocha, em Portimão, pelo meio-dia. 
Está um céu todo azul e o sol brilha a todo o vapor. 
Há ainda muita gente na praia, a maioria estrangeiros do norte da Europa que por aqui permanecem durante os meses frios do Inverno.

A tarde foi de passeio à beira-mar e de mergulho reconfortante nas águas cálidas que desaguam no sul do meu país.
O tempo convida-nos a fruir este tempo durante dois dias antes de nos aventurar nesta primeira viagem a Marrocos.

Apesar de precoce, a saudade dos nossos afectos vai crescendo na exacta medida do avançar dos dias. 

E apenas um sonho fica por cumprir: tê-los connosco a fruir deste Verão tardio. Mas oportunidades não faltarão, com certeza!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Céu azul ...



CG




Bem reza o ditado: «Após a tempestade, vem a bonança!».
Estamos, de facto, no dia seguinte a uma intempérie que nos fez recolher para dentro da Micha a ouvir os sons da chuva empurrada por um vento atrevido.
A noite foi de intervalos mais calmos, com sobressaltos de bátegas que levavam o sono para outras paragens. 
No entanto, a manhã acordou com um sol   que prometia um dia luminoso e sem chuva. O passeio matinal, ao longo da Praia da Rocha, foi retemperador. 
O mar transparecia tranquilidade e a cor da areia e dos rochedos contrastavam na perfeição com um céu azul de Primavera.

Tonicha
Caminhamos durante duas horas pelo espraiado e deliciamo-nos com os sons calmos da água a espreguiçar-se pelo imenso areal. 
Poucas pessoas estavam por ali, talvez porque o tempo frouxo dos últimos dias não vaticinava a quente calmaria matinal.
Assim, foi mais fácil ouvir os sons da brisa a percorrer os vários rochedos espalhados pela praia e as melodias do mar remansoso a estender-se pela areia fina de cor do ouro. 
São momentos destes que aliviam o stress acumulado durante os longos dias, cinzentos e tristes, do nosso descontentamento.

domingo, 7 de abril de 2013

Pedir demais!


Dia de Páscoa. Acordamos embalados pelo som da chuva que fustigava a Micha de mansinho. Decidimos atravessar a ponte internacional do Guadiana para abastecer combustível e comprar gás propano em Espanha. 

CG
Se cada litro de gasóleo fica mais barato cerca de 10 cêntimos, o gás custa quase metade do preço que em Portugal (15 €).
Depois, rumamos até Olhão onde almoçamos junto do porto de pesca. De tarde, dirigimo-nos para Portimão onde pernoitamos junto da Marina da Praia da Rocha.
Tal como em Albufeira e Monte Gordo, também aqui abundam os autocaravanistas, na sua grande maioria, holandeses, alemães, ingleses, italianos e franceses. 
Muitos holandeses e alemães passam cá o Inverno e, com o despertar da Primavera, regressam às suas casas.
Todo o dia esteve acompanhado de nuvens negras. A chuva começou a cair em abundância a partir das 17 horas. Anuncia-se uma noite de borrasca, tal como em todas as regiões do país.
Apesar de tudo, o interior da Micha é um conforto. E tudo seria perfeito se os nossos afectos estivessem por aqui. Mas isso, já seria pedir demais!