Mostrar mensagens com a etiqueta Grândola. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Grândola. Mostrar todas as mensagens

domingo, 10 de novembro de 2013

Do Alentejo ao Ribatejo …





A noite de Silves foi calma. Após o pequeno-almoço, aventurei-me numa caminhada pelo passeio marginal do Rio Arade, que a Câmara Municipal de Silves construiu para esse efeito. 
Trata-se, pois, de um município que se mostra atento e promove a saúde dos seus cidadãos e dos que visitam aquele belo recanto do meu país.

Fizemo-nos à estrada já a manhã ia a meio. Apesar de as nuvens esconderem o sol do sul, o ambiente continuava acolhedor.

 A primeira paragem para almoço e abastecimento da Micha foi em Grândola. 
Um local que guarda a memória dos idos tempos da revolução de Abril de 1974, pelo facto desta cidade ter ficado imortalizada numa canção do Zeca Afonso. Daí que faça uma paragem por aqui sempre que me dirijo ou retorno do sul.

Seguiu-se a etapa até Alcácer do Sal, onde nos demoramos na admiração do passeio ribeirinho, das ruas apertadas, da bela Igreja de Santiago, de construção oitocentista, e do velho Castelo, de construção muçulmana.

A cidade está em obras em vários locais. 

Mesmo assim, foi um deleite para os olhos e um regalo para a alma sentarmo-nos num dos bancos que estão espalhados pela margem norte. 


O Sado, dos poucos rios portugueses que correm de sul para norte, parecia sem pressa de se misturar às agitadas águas do Atlântico, bem lá junto a Tróia.

Coruche foi a vila escolhida para pernoitar. É sede de um concelho de grande tradição agrícola, nomeadamente ao nível do cultivo de arroz, tomate, milho e vinha e com importante exploração florestal e pecuária.

Optamos por ficar junto do Sorraia, rio que atravessa o concelho para se ir juntar ao Tejo na lezíria de Vila Franca de Xira.

Aquele veio de água dá-lhe um encanto que se sente logo à chegada. 

E o areal, que o Município colocou na marginal, embeleza o Sorraia e atrai as pessoas a fruírem das suas magnificas margens.

No início da noite começou a chover como que a lembrar que estamos mais próximos do norte de Portugal onde os rigores do Outono e Inverno mais se fazem sentir.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Grândola, vila morena …



CG
Chegamos, pelo meio-dia, à AS de Grândola. Precisavamos de abastecer a Micha de água e despejar as águas negras. O local é amplo. Porém, o aspecto dos prédios periféricos e dos carros aí estacionados (estavam todos com os pneus furados), suscitou alguma insegurança.
Decidimos estacionar no parque contíguo e aí confeccionar o almoço. 
Entretanto, chega uma pequena carrinha de caixa aberta da autarquia transportando um arbusto de cerca de dois metros de cumprimento. Quatro homens saem do seu interior dispostos a replantar o mesmo. 
Enquanto um deles começa a cavar um buraco, os outros três encostam-se à viatura a apreciar o trabalho do cavador. Depois, a árvore é plantada com a ajuda de dois dos trabalhadores, enquanto os restantes continuam com a missão de «fiscalizar» o evento. 
O mais cansado da vida vai ao ponto de se deitar no banco de trás de um carro amigo que ali decidiu parar e iniciar uma morna cavaqueira. Um outro faz-se notar pela postura hierárquica, uma vez que limita a sua acção a mirar a inclinação do arbusto e a ordenar a postura que considera mais correcta.
O trabalho não durou muito tempo. Mas a imagem que fica do Município de Grândola é, no mínimo, constrangedora. O pensamento que me assaltou, no momento, foi que um país que necessita de quatro homens para plantar um arbusto não terá, por certo, um futuro muito pomissor.
Mas, também, não terá sido por acaso que a utopia da liberdade tenha determinado que, nesta cidade, «O povo é quem mais ordena»!
 É assim este meu país!