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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Evocar emoções!

 Fazia muito frio quando chegamos a Saint-Flour, vindos de Clermont-Ferrand. Aí estávamos, pela primeira vez, a admirar aquela bela cidade de França, debruçada sobre um promontório vulcânico, junto do maciço central francês.
CG
À chegada, fomos seduzidos pela cidade baixa. Mas, rapidamente, a curiosidade levou-nos a subir os íngremes percursos que levam à cidade alta para apreciar o extraordinário centro histórico, o passado fortificado de Saint-Flour e o seu rico património, destacando-se a possante Catedral de São Pedro rodeada de belas casas renascentistas e palácios do século XVI. 
Fomos, também, atraídos pela admiração da paisagem do planalto, pelo palpitar das ruas e suas gentes e pela arquitectura medieval de uma urbe de inusitada beleza.
Durante a subida, vislumbrei o teu rosto ofegante do esforço e encrespado pelo vento gélido. Quase lá no alto, umas espaçadas pingas de chuva aumentavam o pressentimento de que íamos ter borrasca. De repente, tivemos de nos encostar sob a cobertura de um velho prédio que fazia esquina com uma minúscula praça triangular.
A chuva aumentava a cada instante e o forte vento empurrava-a em todos os sentidos. 
Connosco, outras criaturas abrigavam-se e estendiam o olhar para o céu cinzento como que a implorar uma trégua naquele dilúvio.
Trocamos olhares cúmplices sobre o que fazer: se esperar a bonança que sempre se segue à tempestade ou descer apressadamente os cerca de mil metros que distavam do nosso abrigo.
Com o passar do tempo e como a imagem soturna do céu se mantinha, decidimos pela segunda opção. Assim, ao esforço da subida fomos recuperar algumas forças e corremos, rua abaixo, por entre uma carga d’água que não parava de cair.
Ver-te chegar toda molhada, veio-me à memória aquele fim de tarde orvalheira na nossa cidade, quando ainda iniciávamos as doçuras do encantamento, da conquista e do compromisso. Lembro bem aquela correria, de mãos dadas, pela avenida abaixo, até ao Palacete do Raio. Exibias os teus longos cabelos, inundados de água da chuva, linda de juventude e de confiança no futuro.
Confirmo-te, passadas que estão algumas décadas, que aquele banho foi um bálsamo que amei vivenciar. A ponto de ficar, para sempre, gravado nas minhas melhores memórias. Ainda não esqueci o rosto franzino e muito belo e recordo com paixão os teus beijos quentes de primavera florida. A única diferença é que a chuva desta altaneira cidade é fria por demais. Talvez porque navegamos já o outono da nossa existência. Mesmo assim, adoro evocar emoções de tempos felizes!


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Saint Flour




De regresso de Auxerre, paramos em Saint Pourçain s/ Sioulle, nas margens do rio Sioulle que aí corre apressado. Após o almoço, passamos por Aigueperse, pequena cidade fortificada rodeada por zonas húmidas o que faz jus à origem do seu nome «Aquae Sparsae», literalmente, «água por todos os lados».

No final do dia, pernoitamos em Le Cheix, uma pequena comuna do centro de França situada no departamento de Puy-de-Dôme, região de Auvergne, a cerca de 21 kms de Clermont-Ferrand.

No dia seguinte, rumamos a Saint-Flour. Já há muito que desejava visitar este município localizado entre duas regiões vulcânicas, ao lado da auto-estrada (A75) que liga Clermont-Ferrand ao mediterrâneo.
Dividida em cidade alta e cidade baixa, situa-se, por entre montanhas do maciço central francês, a cerca de mil metros de altitude, ou seja, no topo dos mais altos afloramentos vulcânicos de Auvergne. 
As vistas sobre a paisagem circundante da cidade alta são espectaculares e oferecem ao viajante a oportunidade de apreciar o lado rural da França medieval.

A Catedral de Saint-Pierre é o monumento mais importante da cidade. De estilo gótico, do século XV, a Catedral é toda construída em basalto negro. Muitos outros edifícios importantes, também construídos de lava vulcânica, podem ser admirados nas inúmeras ruas estreitas e praças pitorescas do centro histórico, tais como a «Place du palais» ou «Place d’Armes». 
Talvez este ambiente natural e histórico tenha contribuído para que Saint-Flour passasse a ser conhecida, nos nossos dias, como «região de arte e história».
Optamos por pernoitar na parte antiga, a cidade alta. 
Ao entardecer, um passeio ao longo dos portões fortificados e restos de muralhas conduziu-nos a tempos imemoriais do seu passado medieval. 
Porque a cidade deslumbra não só pela sua história e cultura mas também pelo maravilhoso cenário que se alcança no cimo das muralhas, onde uma paisagem campestre natural se desdobra diante dos nossos olhos.