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domingo, 10 de julho de 2016

Biarritz

 
Uma vez mais em Biarritz. Por cá me demoro sempre que a França surge como destino de viagem. Desta vez é o regresso de alguns países que amei visitar: Bélgica e Holanda.
Adoro este local que me recebe com um tempo de boa feição. O passeio pelas margens do oceano é repleto de brisas suaves e magníficas vistas. Lá em baixo divertem-se os muitos surfistas no meio de águas cor de pérola e com um azul de mar bem colado ao horizonte.
Esta estância balnear foi, em tempos recuados, um dos principais pontos turísticos da nobreza que se alojava nos palacetes em redor da praia. 
Na actualidade, é um dos destinos mais procurados pelos amantes de surf já que a praia apresenta ondas possantes. 
Um passeio pelas ruas e avenidas desperta-nos para os vários dialectos que se fazem ouvir, com maior ênfase para o francês, espanhol e basco. 
A influencia basca é perceptível tanto na gastronomia quanto na arquitectura das casas que muito acrescenta à atmosfera elegante que a cidade desfruta. Foi, aliás, esta arquitectura que deslumbrou Victor Hugo que por aqui passou um tempo da sua vida.
Gostei de, uma vez mais, admirar toda a costa de Biarritz a partir do «Rochedo da Virgem», antigamente ligado a terra por uma ponte de madeira e hoje por uma estreita ponte metálica desenhada por Gustave Eiffel. Tudo aqui é deslumbrante!


sexta-feira, 8 de julho de 2016

S. Rodez



S. Rodez é uma cidade a que dedico afectos. Estive aqui há mais de 25 anos, quando viajava pela Europa com uma pequena tenda de campismo na bagageira do carro.
Por isso, a primeira visita que fiz foi ao parque de campismo - Camping Layoule - para matar saudades de um tempo distante … mas ainda tão perto.
Ainda lembrava bem do som das águas do rio que por ali serpenteia e da casinha branca onde ainda hoje se faz o check-in.
É impressionante como as emoções brotam tanto tempo passado. 
Olhei para o fundo do parque para adivinhar o local em que coloquei a tenda e vi os infantes a brincar por entre o verde do chão e do arvoredo. 


Rodez é a capital de Aveyron, departamento onde se encontram das mais belas criações francesas, como o Viaduto de Milau, a mais alta ponte rodoviária do mundo, com 343 metros de altura e o roquefort, famosa variedade de queijo produzido com leite de ovelhas.

A cidade cresceu muito desde então e está mais moderna. 
Gostei de revisitar um dos ex-líbris de S. Rodez, a Catedral  de Notre Dame de Rodez, de estilo gótico e construída entre os séculos XII e XVI.
Na Place de la Cité, na Place du Bourg e na Rue de Neuve podem ser vistas belas casas renascentistas entre lojas e cafés que se juntam lado a lado. Em suma: uma bela cidade a visitar!


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Saint Flour




De regresso de Auxerre, paramos em Saint Pourçain s/ Sioulle, nas margens do rio Sioulle que aí corre apressado. Após o almoço, passamos por Aigueperse, pequena cidade fortificada rodeada por zonas húmidas o que faz jus à origem do seu nome «Aquae Sparsae», literalmente, «água por todos os lados».

No final do dia, pernoitamos em Le Cheix, uma pequena comuna do centro de França situada no departamento de Puy-de-Dôme, região de Auvergne, a cerca de 21 kms de Clermont-Ferrand.

No dia seguinte, rumamos a Saint-Flour. Já há muito que desejava visitar este município localizado entre duas regiões vulcânicas, ao lado da auto-estrada (A75) que liga Clermont-Ferrand ao mediterrâneo.
Dividida em cidade alta e cidade baixa, situa-se, por entre montanhas do maciço central francês, a cerca de mil metros de altitude, ou seja, no topo dos mais altos afloramentos vulcânicos de Auvergne. 
As vistas sobre a paisagem circundante da cidade alta são espectaculares e oferecem ao viajante a oportunidade de apreciar o lado rural da França medieval.

A Catedral de Saint-Pierre é o monumento mais importante da cidade. De estilo gótico, do século XV, a Catedral é toda construída em basalto negro. Muitos outros edifícios importantes, também construídos de lava vulcânica, podem ser admirados nas inúmeras ruas estreitas e praças pitorescas do centro histórico, tais como a «Place du palais» ou «Place d’Armes». 
Talvez este ambiente natural e histórico tenha contribuído para que Saint-Flour passasse a ser conhecida, nos nossos dias, como «região de arte e história».
Optamos por pernoitar na parte antiga, a cidade alta. 
Ao entardecer, um passeio ao longo dos portões fortificados e restos de muralhas conduziu-nos a tempos imemoriais do seu passado medieval. 
Porque a cidade deslumbra não só pela sua história e cultura mas também pelo maravilhoso cenário que se alcança no cimo das muralhas, onde uma paisagem campestre natural se desdobra diante dos nossos olhos.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Auxerre



Após uma estada retemperadora em Pont-à-Mouson, rumamos a Ligny en Barrois, localidade da região da Lorena, no nordeste de França. 



Situada no coração do vale do rio Ornain, a cidade deve muito da sua prosperidade à empresa Essilor, famosa no mundo da óptica oftálmica.

Mas foi o seu belo porto fluvial e o passeio ao longo do canal que nos deixou a vontade de um dia aqui regressar. 


Seguiu-se Auxerre, cidade banhada pelo Rio Yonne e capital da baixa Borgonha onde os planaltos são campos e florestas e as encostas cobertas de vinhas e árvores de fruto.
Construída sobre uma colina, a cidade viu passar alguns grandes nomes, através dos tempos, como Joana d’Arc, que tem uma estátua na catedral de Saint Étienne.
Considerada uma cidade de arte e história, Auxerre possui belos monumentos, principalmente religiosos, um excepcional património arquitectónico, preservado através dos tempos, e um centro histórico que conserva vários edifícios da Idade Média em ruas estreitas.
Das inúmeras igrejas que existem, elegemos a imponente Cathédrale Saint-Étienne, de estilo gótico e com uma construção iniciada em 1215 e terminada no século XVI. 
Também a prestigiada Abadia de Saint-Germain, que preserva alguns dos frescos mais antigos de França, está em perfeito estado de conservação. Localizada no centro da cidade, o seu interior é de extraordinária beleza. 
Banhada pelo Rio Yonne, a cidade possui umas margens idilicas repletas de barcos para fruição dos turistas.


segunda-feira, 27 de junho de 2016

Pont-à-Mousson

                 
Já na França e depois de atravessar o Luxemburgo, alcançamos Pont-à-Mousson, uma cidade situada no coração da Região da Lorena e no departamento de Meurthe-et-Moselle, a meio caminho entre as cidades de Nancy e Metz, no sopé da colina Mousson. 
A cidade está localizada nas margens do rio Moselle que lhe acrescenta beleza.
No centro da cidade está a Praça Duroc, de formato triangular e com muitas arcadas que lhe conferem um ar medieval.
A partir do século XIII, Pon-à-Mousson transformou-se numa cidade comercial próspera antes de se tornar num centro intelectual com a criação da primeira Universidade de Lorena em 1572.
É na margem esquerda do Moselle que encontramos a Igreja Saint Martin, construída no final do século XII e que, em 1572, se tornou na Igreja da Universidade Lorraine, confiada aos jesuítas. No entanto, em 1768 a Universidade foi transferida para a cidade de Nancy
Muito perto desta Igreja situa-se a Abadia de los Prémontrés de Pont-à-Mousson, de estilo barroco e construída entre 1705 a 1735. 





Na actualidade, a abadia está dessacralizada e funciona como um centro cultural da região da Lorena.
Pont-à-Mousson é uma cidade que atrai um crescente número de turistas à descoberta dos seus locais aprazíveis, a sua história, a praça de arcadas com as casas renascentistas, o pátio antigo da Universidade e as Igrejas já referidas.
As excelentes condições oferecidas aos autocaravanistas, a beleza do rio que por ali serpenteia e o bom tempo que se faz sentir conferem à cidade uma aura hospitaleira que amamos fruir.


terça-feira, 7 de junho de 2016

Bray Dunes






Bray Dunes é uma pequena cidade, junto do mar, a cerca de 2 quilómetros da Bélgica.

É aqui que estamos desde ontem, num dia de sol tímido e de um vento fresquinho. 


Viemos de Wissan, também uma cidade borda-d’água, que nos recebeu bem, num parque anexo à Avenida George Clemenceau, um politico francês que chefiou o país no decurso da Primeira Guerra Mundial e um dos principais autores da Conferência de Paz de Paris, que resultou no tratado de Versalhes.


Em Bray Dunes ainda se respiram memórias das guerras mundiais que fustigaram, de forma cruel, estas regiões do Somme e Pas-de-Calais.

A Batalha do Somme, por exemplo, uma ofensiva conjunta dos soldados ingleses e franceses contra o exército alemão, é considerada a mais sangrenta batalha da Primeira Guerra Mundial.

Por aqui também lutaram soldados do Corpo Expedicionário Português, mais precisamente, na famosa «Batalha de La Lys», na região da Flandres. contra o exército alemão, tendo sofrido uma pesada derrota  que resultou  em   mais de  doze  mil mortos, 

feridos, desaparecidos e prisioneiros compatriotas.

São inúmeros os vestígios nos locais onde o encarniçamento e o ódio tomou proporções gigantescas.

Nas praias de Bray Dunes ocorreu, durante a Segunda Guerra Mundial, a «Operação Dynamo», considerado o maior reembarque da história ao permitir a evacuação de cerca de 340 mil soldados aliados fugindo ao intenso bombardeamento germânico que pejou a praia de milhares de corpos. 

Hoje, estas paragens respiram paz e liberdade, apenas desassossegadas pela proximidade de episódios de terrorismo, uma nova e cobarde crueldade do ser humano. 

Mas, infelizmente, sempre assim foi: entre períodos de paz e novos episódios de guerra, vai-se fazendo a história da humanidade!


domingo, 5 de junho de 2016

Honfleur






São 18.30 horas de um dos últimos dias de Março (29) e estamos em Honfleur, uma encantadora cidade da Normandia, onde desagua o Sena. 

No amplo espaço ao redor da velha doca estão dezenas de autocaravanistas, de diferentes nacionalidades. 

Honfleur bem merece esta deferência porque oferece ao visitante uma visão moderna e antiga da cultura e arquitectura locais.

Gostei de ver a velha igreja do século XV, construída em madeira e de extraordinária beleza. 

A Igreja Sainte-Catherine é obra dos carpinteiros da região e é hoje a maior igreja de França edificada em madeira.

Construída logo após a Guerra dos Cem Anos – um dos maiores conflitos da Idade Média que envolveu duas das maiores potências europeias, a França e a Inglaterra – tem o formato de um casco de barco invertido.

Em frente, do outro lado da praça, está a Torre da Igreja – Clocher Sainte-Catherine. 
Rezam as crónicas que terá sido construída separadamente para evitar a queda de raios e prevenir incêndios que poderiam destruir a Igreja.
 

Caminhar por Honfleur é um deleite. Porto de pesca, de comércio e de recreio, a cidade soube preservar o seu rico património histórico e artístico.

Terra de pintores célebres e do impressionismo, o seu centro histórico está repleto de inúmeras galerias de arte. 

Subindo o morro na direcção das praias, de ruelas estreitas e casas esguias de vários andares, obtém-se uma generosa vista da cidade, com o Sena a desvanecer-se  a seus pés e a imponente Ponte da Normandia mais ao largo. 

O dia estaria completo se não surgisse um problema eléctrico na nossa casa rolante, facto que nos trará alguns constrangimentos mas não a vontade determinada de visitar o que temos planeado. A ver vamos!













sábado, 4 de junho de 2016

Saint-Malo, a cidade-corsária

Roscoff



O dia de ontem foi de estrada. Visitamos Concarneau, seguindo-se Roscoff, estancia balnear que recebe por ano um grande número de turistas.


Paimpol
Já a tarde ia a meio quando decidimos rumar a Paimpol, uma bela cidade do norte da Bretanha, mais precisamente, do departamento de Côtes d’Armor, onde pernoitamos. 

Foi bom de ver a típica arquitectura desta região, sobressaindo a beleza dos seus telhados negros e alongados. 

Em Paimpol algumas casas são construídas com o granito de cor rosado, abundante na Cote de Granit Rose que vai de Paimpol a Trébeurden.

Seguiu-se Saint-Malo, um dos principais pontos turísticos da Bretanha francesa, que constituía uma das prioridades da viagem por esta região. 

E não nos desiludiu, de todo, pois fomos surpreendidos com uma cidade muito bela, cercada por grandes muralhas históricas. 
Fundada no século I antes de Cristo, a cidade foi fortificada pelos romanos, as suas muralhas construídas no século XII  e é, nos dias de hoje, um importante porto de mar e uma excelente estancia balnear do norte da Bretanha.

Foi daqui que, nos séculos XV a XVII, saíram muitos navios, inclusive piratas, em busca de tesouros e riquezas pelo mundo fora, o que fez com que ficasse conhecida como a cidade-corsária.

S.Malo foi fortemente bombardeada, no decurso da II Guerra Mundial, pelo 3º exército dos EUA, comandado pelo general Patton, com o intuito de destruir a resistência alemã. 

No entanto, a sua reconstrução foi exímia e tanto o edificado, como as muralhas continuam a evocar a época medieval.

É permitido o trânsito de carros à cidade Intra-Muros (a jóia de S. Malo), mas não arriscamos: deixamos a autocaravana estacionada em local apropriado e fomos a pé percorrer o excelente centro histórico, cheio de restaurantes (onde as «moules» sobressaem como uma das especialidades típicas da região) e hotéis, para além de vasto comércio, mais virado para os turistas.

Nas maré baixa pudemos contemplar uma curiosa piscina cercada apenas por três lados, aproveitando o declive natural da praia, onde a água é renovada a cada maré-alta.

Apesar do tempo chuvoso e frio impedir uma maior fruição da Bretanha francesa, tem sido uma agradável surpresa a paisagem humana e natural desta região. E muito mais fica para descobrir noutras viagens do próximo futuro.