sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Caminhos desertos …



CG

Sinto a brisa da saudade
E os silêncios doridos
Ouço rumores na cidade
Como poemas sentidos

É a ternura a libertar
Afectos em contraluz
Talvez o vento a soprar
A maresia que seduz

Gosto de voos rasantes
Com asas de liberdade
Mesmo de seres errantes
Pela vertigem da tarde

Ainda lembro os sorrisos
Que segregavam surpresas
Por vezes, escuto suspiros
Envoltos em vãs certezas

Não importa o que fazemos
Com a infância dos afectos
Porque sempre percorremos
Vários caminhos desertos

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Enquanto a vida passa ...





O dia de hoje amanheceu mais gelado. 
A primeira luz da manhã descobriu o manto branco que a noite postou nos campos desta linda região do Minho. 
O sol surgiu luminoso, acho que com a tarefa de lamber a geada deste Outono soalheiro.

Deixei, há momentos, o arquitecto no seu trabalho e rumei a Esposende. Esta cidade, de muitos encantos, repousa junto à foz do Cávado com a serenidade que lhe é característica.
Exibe um arruado suficiente para o escasso fluxo de trânsito e a ampla marginal, recentemente renovada, é uma atracção deslumbrante para o forasteiro. 
Esposende é, sem dúvida, a mais bela cidade do Minho. 
Mar, rio, planície e montanha encontraram-se por ali para concertarem paisagens de beleza ímpar.
 O Cávado corre apressado para o grande vazadouro, sinalizando o abaixamento da maré. Há pessoas que caminham pela margem direita beneficiando da visão paradisíaca do estuário. Mais ao largo, as gaivotas amontoam-se numa elevação de areia emergente a meio do rio.

Lá fora, o ambiente exige um reforço de agasalhos, pois, a temperatura não deve ultrapassar os 10ºC. Não por acaso, as pessoas passam de rosto arrepelado e encolhidos.
Junto ao Café «mar alto» repousam algumas pessoas a olhar o mar. 
Este é um dos locais ribeirinhos mais frequentados em Esposende. De dia, para sentir a magia da paisagem e a aragem da maresia. Pela noite, para dar liberdade a abraços e amassos de desejo.

Apesar do sol quente, o miradouro não convida à permanência ao relento mais do que uns breves momentos. 
A brisa, apesar de suave, é gelada e rapidamente arrefece o corpo dos mais afoitos. 
Daí que o melhor sítio para admirar esta magnífica paisagem seja o interior da viatura onde me encontro.
Os raios solares entram pela vidraça e a música aconchega o pensamento de maresia e saudade. Na «Antena 1» as sonoridades sucedem-se sendo que, neste momento, os «Silence 4» dão lugar aos «Beatles» em melodias que não têm idade. Deleito-me ao ouvi-las, enquanto a vida passa à minha frente.
Fotos: Google

domingo, 8 de dezembro de 2013

INVICTUS (Sou o senhor do meu destino ...)



Google






Do fundo da noite que me envolve
Escura como o inferno de ponta a ponta
Agradeço a qualquer Deus que seja
Pela minha alma inconquistável

 
Nas garras do destino
Eu não vacilei nem chorei
Sob as pancadas do acaso
Minha cabeça está sangrenta, mas ereta

Além deste lugar tenebroso
Só se percebe o horror das trevas
E ainda assim, o tempo,
Encontra, e há de encontrar-me, destemido

Não importa quão estreito o portão
Nem quão pesado os ensinamentos
Eu sou o mestre do meu destino
Eu sou o comandante da minha alma

 (William Ernest Henley), escritor britânico. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Até sempre, Madiba!











«Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar».
Nelson Mandela

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Que belo poema à liberdade ...



Google

Instrução Primária
 
Não saibas: imagina...
Deixa falar o mestre, e devaneia...

A velhice é que sabe, e apenas sabe
Que o mar não cabe
Na poça que a inocência abre na areia.


Google
Sonha!
Inventa um alfabeto
De ilusões...
Um a-bê-cê secreto
Que soletres à margem das lições...

Voa pela janela
De encontro a qualquer sol que te sorria!
Asas? Não são precisas:
Vais ao colo das brisas,

Aias da fantasia...

                       Miguel Torga

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Feira semanal


Google




É mais um dia que se inicia. Com sol outonal e mil folhas fazendo de tapete aos transeuntes. 
Neste tempo, que docemente resiste à chuva, as árvores vão-se despindo de pétalas preferindo o sacrifício da fria nudez que aumenta em cada dia.
A vida escorre nesta cidade de muitas ausências. Daqui, vejo pessoas que caminham apressadas, como para afagar o ar gélido da manhã. Outras repousam em espaços soalheiros ruminando a lengalenga de sempre: «a noite foi fria e o natal está a chegar ...».
Lá mais ao fundo decorre a feira semanal. Um rodopio de gente enche as galerias dos vendedores barateiros, pois os tempos não estão de feição.
Há os madrugadores, que já regressam ao ponto de partida, e outros que carregam sonhos para a grande praça do regateio. É um bulício que parece organizado, pois, ninguém resmunga os apertos da confusão.

Google
 O desígnio de cada um que demanda este local é uma incógnita abafada pelo rumor constante e o vai e vem permanente.
O rosto de quase todos é de uma seriedade que inquieta. É furtivo o encontro de olhares e perturbadora a solidão de alguns passos.
Há os que caminham cabisbaixos de humildade, os que carregam anos a mais, denunciados por uma tosse catarrada, e os grupos entretidos com as emoções excitadas pela feira semanal da cidade dos arcebispos! É a vida que emerge em todo o esplendor!