domingo, 19 de junho de 2016

Hoorn





A caminho do maior dique da Holanda – o Afsluitdijk -, visitamos a pequena cidade de Hoorn, que teve grande prosperidade económica no século XVII quando era uma das principais bases comerciais da Companhia das Índias Orientais da Holanda.

Um passeio pelo velho porto e ruas do centro histórico dão-nos a sensação de que o tempo parou por aqui. 
Vários navios perfilados pelo canal adentro, alguns com velas içadas, arrastam-nos para o seu passado pujante e quase podemos sentir o cheiro das especiarias, que ali eram comercializadas, trazidas do extremo oriente.










Com o passar do tempo, a prosperidade de Hoorn começou a declinar e o porto transformou-se numa infra-estrutura de apoio a pouco mais que uma vila de pescadores. Nos dias de hoje, para além dos vários monumentos que mantêm a atmosfera histórica do lugar, a arquitectura moderna mistura-se com a paisagem urbana do passado, emprestando-lhe um encanto extraordinário.



sexta-feira, 17 de junho de 2016

Amesterdão



Chegamos à cidade de que se diz ter mais bicicletas do que pessoas e onde existem «mais de 100 quilómetros de canais, cerca de 90 ilhas e 1500 pontes». 
Por aqui se pode fazer uma pequena ideia da magnífica Amesterdão, capital da Holanda.

Inscrita na lista do Património da Unesco, a cidade deslumbra pelos imensos canais e tendências culturais. 
Num dos pontos principais de Amesterdão, que fica em frente do complexo rodoviário e marítimo, é um frenesim de gente de diversificados credos e pátrias. 
Um outro espaço importante é a «Praça Dam», local que se destaca pela presença da casa real, a basílica de Niuwe Kerk e um monumento nacional.
 
São vários os dialectos que se ouvem nas ruas estreitas que ladeiam os canais. Na maior parte delas ouvem-se vozes melódicas que acompanham instrumentos mais ou menos exóticos, sempre com um espaço para recolher as moedas que são lançadas amiúde.
O corrupio de bicicletas que deambulam por ali, num à-vontade que impressiona, confere a esta cidade um carácter íntimo e inspira um agradável sentimento de proximidade

Amesterdão é mundialmente famosa pela visão liberal da vida e pelas formas extravagantes de celebrá-la. Exemplos disso são as famosas «casas da luz vermelha», que exibem corpos nus em plena luz do dia, encaradas com uma descontracção que só Amesterdão é capaz de suscitar. 
E o consumo de cannabis é tolerado e vendido aos adultos nas populares «coffeeshops» espalhadas pela cidade e muito frequentadas pelos turistas.

É admirável o respeito pela liberdade que a cidade cultiva, postura baseada na responsabilidade pessoal. 
Daí que, apesar da imensa gente que passeia pela cidade, a pé, de bicicleta, de barco ou outro meio qualquer de transporte, não se sente confusão mas, tão só, um caos organizado, apaixonando qualquer viajante pela sua frugalidade e espontaneidade. É, sem dúvida, um destino ideal para passear e desfrutar do melhor que a vida tem para nos oferecer.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Middelburg


Saímos de Antuérpia rumo a Hoogerheid, para aí pernoitar. 
De seguida, atravessamos a região do Plano Delta, que reforçou e aumentou diques, além de construir barragens para proteger a Holanda da baixa altitude em relação ao mar.
Daí que o percurso fosse isso mesmo: repleto de canais e diques, até Middelburg, capital da província de Zeeland, onde grande parte da região fica abaixo do nível do mar.
É uma cidade muito agradável com os cursos de água que lhe emprestam um charme que cativa o visitante. 

No seu centro histórico perfila-se um edificado tipicamente holandês.
O edifício do Município, do século XV, um exemplo gótico flamengo tardio, e a Abadia de Middelburg, que abriga um museu e a famosa Torre Lang Jan, com 91 metros de altura, são os monumentos mais relevantes.
No centro da cidade encontramos lindas casas do século XVII, além de vários restaurantes e lojas.

É domingo de manhã, os estabelecimentos estão fechados e pouca gente se vê nas ruas. Pela tarde, ao contrário, a cidade ganha vida com um corrupio de pessoas a confluir para o comércio, entretanto aberto.
São muitos os ateliers de artes, com predominância para a pintura. Na praça central decorre uma feira de velharias repleta de curiosos.









O dia está ensolarado permitindo-nos fazer um passeio, de cerca de oito quilómetros, ao longo duma estrada de água ladeada por uma imensa planura verde.
Só de vez em quando é que um ruído morno de motor nos prende o olhar para admirar a passagem de um veleiro solitário pelas águas calmas do canal.
Sabe bem ouvir o bulício cadenciado das ervas pisadas por nós e cismar no milagre deste povo que ousou transformar a água em terra, através da construção de diques para conter o mar. Num país com cerca de nove milhões de habitantes e 60% do território abaixo do nível do mar!


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Antuérpia

  










Os barcos passeando as pessoas pelo grande canal, foi uma das primeiras impressões que obtivemos de Antuérpia, a segunda maior cidade da Bélgica.   Como o dia estava de feição, havia muita gente na plataforma sobranceira ao canal, donde se divisava, também, uma excelente visão do centro.

A Catedral de Nossa Senhora, construída em pedra e em estilo gótico, impõe-se por entre um soberbo casario de arquitectura encantadora que a Bélgica já nos habituou.
A construção deste santuário demorou mais de 150 anos, tendo sido concluída em 1521, apesar do projecto da segunda torre nunca ter sido finalizado, já que a ideia inicial era que ambas tivessem o mesmo tamanho.
A praça principal, chamada de «Grote Markt», é rodeada por magníficos edificios, ressaltando, pela sua imponência e beleza, o Palácio Municipal. Os restantes prédios são estreitos e de tecto triangular, característica arquitectónica desta região da Flandres.

construção mais antiga de Antuérpia, o único prédio a escapar à demolição durante a construção das docas no rio Scheldt, no século XIX, é o castelo Steen, todo construído em pedra. Esta fortaleza medieval teve já várias funções: ora serviu como prisão, ora como museu. Nos dias de hoje acomoda o Museu Nacional Maritimo e de lá alcança-se uma bela vista do rio Scheldt e do Porto de Antuérpia.
Na frente do castelo está uma estátua que representa a figura de «Lange Wapper» que, segundo reza a lenda, podia crescer até se transformar num gigante para proteger as crianças e perseguir os bêbados da cidade.

Por fim, duas curiosidades: Antuérpia é conhecida como a capital dos diamantes pelo facto de cerca de 70% desse mineral ser feito nesta cidade. E foi aqui que viveu Rubens, um dos grandes pintores do século XVII. Algumas das obras deste artista podem ser admiradas na Catedral de Nossa Senhora e na casa que foi sua residência e que viria a transformar-se em museu.



sábado, 11 de junho de 2016

Gante

                                                 



Gante ou Ghent, como dizem os locais, é uma bela cidade muito parecida com Bruges, quer pelos muitos canais, quer pela arquitectura do edificado.

Assim, como em Bruges, a água é um dos grandes atractivos da cidade e os passeios de barco pelos canais estão sempre habitados de turistas.   

No entanto, enquanto que Bruges vive do turismo, Gante é uma cidade universitária, cheia de gente e de vida.
O seu centro histórico está bem conservado, exibindo um imponente castelo medieval totalmente reconstruído, a Catedral de San Bavón que se encontra por detrás da igreja de S. Nicolás e a Torre do Campanário, construída no século XIV e com mais de noventa metros de altura. Todos estes monumentos encontram-se na mesma rua e separados por escassos metros.
Foi uma manhã agradável a percorrer as ruas desta cidade muito organizada e conservada. No entanto, já no regresso à nossa casa rolante, um episódio deixa-me um pouco constrangido: entrei num supermercado para comprar pão. 
No acto de pagamento, sou confrontado (numa língua imperceptível) para colocar a nota numa máquina. Perante a sisudez e antipatia da empregada da caixa, lá consegui enfiar a nota pela ranhura da máquina e aguardei pelo troco.
Depois, já um pouco incomodado pela situação algo insólita, decidi sair pela primeira porta que encontrei mais a jeito e que se encontrava semi-aberta. Só que a passagem por aí deu lugar a um sonido estridente e ensurdecedor de várias campainhas, como que a avisar que alguém saía sem pagar, seguido de uma correria de alguns seguranças. Procurei manter a calma e recuar para a porta principal, acabando por levar com olhares curiosos e comprometedores de quase todos os empregados e clientes da loja. Enfim, um inusitado caso para recordar de uma das cidades mais belas da Bélgica.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Nieuwpoort e Bruges

Na passagem pela Bélgica da Flandres, no primeiro dia de Abril, aproveitamos para visitar Nieuwpoort, mais concretamente, o monumento ao rei belga, Alberto 1º, pelo papel que desempenhou no decurso da Primeira Guerra Mundial.


              


De facto, durante esse conflito mundial, os alemães invadiram Nieuwpoort, uma pequena cidade belga, situada no litoral do Mar do Norte, sendo que aí desaguavam rios e canais das planícies pantanosas da Flandres.

Uma vez que os campos anexos a Nieuwpoort encontravam-se abaixo do nível do mar, um oficial belga teve a ideia de transformar a frente alemã num gigantesco lago de forma a conter o rápido avanço do exército inimigo.

Com a concordância do rei Alberto 1º, que comandava as tropas belgas na Flandres Ocidental, as barragens e comportas foram abertas inundando a região e atolando, dessa forma. o exército alemão.

Esse feito foi de extrema importância para o desenrolar da guerra, uma vez que a invasão alemã foi detida e transformou a guerra de movimentos rápidos numa guerra de trincheiras durante os anos subsequentes.
Aí pudemos visitar uma exposição temática alusiva a esses tempos bélicos.

De seguida, visitamos Bruges, uma encantadora cidade, património mundial da Unesco, popularmente conhecida como a Veneza do norte pelos muitos canais que a atravessam e ligam a outras cidades. 

A preservação do edificado, de tempos imemoriais, é um dos principais motivos dessa distinção. O casario, que se estende pelas margens dos canais que percorrem a cidade, de uma arquitectura típica das terras do norte da Europa, prende-nos a atenção.

As ruas, as casas, os canais são quase como uma viagem ao passado até à Europa medieval e graças a isto esta pequena cidade da Bélgica transformou-se no principal ponto turístico do país.
O centro de Bruges é encantador. A Praça do Mercado foi o berço da época áurea da cidade e hoje é o seu principal ponto turístico. 
Encontramos várias casinhas coloridas, lojas e restaurantes construídos há séculos e que souberam preservar as características arquitectónicas que lhes deram  origem. 
Por ali ouvem-se linguajares de todo o mundo e homens e mulheres de diferentes matizes culturais sentam-se em qualquer canto a fruir de uma beleza ímpar.
Pelo final da tarde, optamos por fazer mais alguns quilómetros de estrada e pernoitar numa pacata aldeia – Sainte Maria Aalter – a meio do percurso  Bruges e Gant, cidade que visitaremos amanhã.