sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Romaria- Elis Regina

Receita para o suicídio!





Ontem foi dia de Greve Geral, decretada e dinamizada pelas duas centrais sindicais: a CGTP e a UGT. Como sempre, a guerra dos números de aderentes foi o prato quente servido no dia. Se o Governo apresentou indicadores sem pés nem cabeça, as Centrais Sindicais exageraram no diagnóstico sobre o que verdadeiramente se passou. Em minha opinião, os olhos dos sindicatos estiveram centrados em Lisboa, ignorando o resto do país. Enquanto os do Governo, ignoraram Lisboa e viraram-se para zonas mais áridas de participação.

Nestes conturbados tempos de agitação social e de revolta, em face dos sacrifícios por que passam os cidadãos, entristece-me a falta de diálogo e de estratégias conjuntas para a resolução da falta de dinheiro de que o país padece. Há momentos em que só a unidade ajuda a sociedade a voltar ao desígnio do desenvolvimento.

Num destes dias, ouvi o Primeiro-Ministro de Portugal a afirmar que «Só  lá vamos, empobrecendo!». Fiquei aterrado com esta tirada ideológica do homem que comanda os destinos do meu país!
De repente, veio-me à memória o rosto melífluo do Presidente do Conselho dos anos sessenta do século XX, Salazar, que sempre pronunciava idêntico discurso. Razão pela qual Portugal era, à época, um país isolado do consenso das nações e um dos mais pobres da Europa.
Também nessa altura a estratégia de empobrecimento levou a que grande parte dos jovens emigrasse para outras paragens, na procura do sustento e de uma melhor qualidade de vida. Impressiona saber que estamos a caminhar no sentido contrário ao do bem-estar e desenvolvimento social.

Leio, hoje, nos matutinos que o «Governo reitera que não há alternativa à austeridade!». Precisamente no dia em que também se noticia que o prémio Nobel da Economia em 2001 e antigo vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, reafirma que as políticas de austeridade constituem uma receita para um crescimento menor, para uma recessão e para mais desemprego.
Ou seja, nas suas palavras, «A austeridade é uma receita para o suicídio económico!».

  Carlos da Gama

                  Fotos: Google Imagens     

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Por sobre o mar!



Já não estava por aqui, há um bom tempo.
Sentia saudades deste espaço mágico, feito do ar que melhor respiro.
Tinha necessidade de estar aqui …

Porque é aqui que reencontro o silêncio, intrínseca parte de mim,
É por aqui que vou recordando os dias e os afectos partilhados,
É aqui que caminho pela ilusória estrada da maresia!

Um dia imaginei-me companheiro submisso do mar revolto
Tornando-o confidente espraiado de marés.
Sempre recorro a ele quando a inquietude toma conta de mim.
O mar é o local mais sedutor
Para quem alimenta angústias e anseia partir...

O mar … é nele que me é oferecida a estrada larga,
É nele que melhor compreendo a solidão,
É junto dele que deixo escorrer emoções despertas,
É na sua companhia que mais transpiro saudade!

O mar transmite-me serenidade quando mais enfurecido.
Não sinto nostalgia da vida quando a vivencio
Por sobre o mar!

  Carlos da Gama

             Foto: Carlos da Gama

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Luz pousada no mar!




Este é um dia que amanhece frio
E co’as rotinas em lento despertar
É já um Outono carente de estio
É já um tempo que custa a passar!

Aquela árvore que avisto adiante
Exibindo cores de ocres outonais
Apesar de bela, avisa o caminhante
É chegado o tempo dos vendavais!

Prometo, tão só, que estarei vigilante
Neste viver de perturbadora saudade
Poder partilhar um respirar ofegante
Fruir do teu abraço de cumplicidade!

E lembro a noite salgada de beijos
Em que teu corpo preferiu divagar
Em pleno luar despertamos desejos
                        Seduzidos pela luz pousada no mar!

  Carlos da Gama

                  Foto: Google Imagens     

domingo, 6 de novembro de 2011

Um dia vou construir um castelo...

Foto: Carlos da Gama


Posso ter defeitos,
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida
é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.

Ser feliz, é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios,
incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz, é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Imagem Google
Guardo todas, 
um dia vou construir um castelo...


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tempo rarefeito!


                      O tempo …

        Na incerteza destes dias
        Vai passando por falésias
        Mergulhando em desventura
        E trocando sobrancerias
        Por abraços de ternura!

        À vista do mar absorto
        Na distância e melancolia
        Sente-se o vento mais solto
        Numa ânsia tão nostálgica
        Como o verde em pradaria!

        No refúgio de partidas
        Onde se espraia a saudade
        Ouve-se um grito indefeso
        Irrompem mágoas sofridas
        Que ecoam ao fim da tarde!

        Procuro nessa inquietude
        Conter as margens da alma
        Na antítese do preconceito
        Está muito ausente a virtude
        Neste tempo rarefeito!

  Carlos da Gama

Fotografia:          Google Imagens

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Navegar

Foto: Carlos da Gama


    Navega, descobre tesouros,
    mas não os tires do fundo do mar, o lugar deles é lá.
    Admira a Lua, sonha com ela,
    Mas não queiras trazê-la para Terra.
    Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele.
    O calor é para todos.

    Sonha com as estrelas, apenas sonha, elas só podem brilhar no céu.
    Não tentes deter o vento, ele precisa correr por toda a parte,
    ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
    Goza a luz do Sol, deixa-te acariciar por ele.
    O calor é para todos.

    As lágrimas? Não as seques, elas precisam correr na minha,
    na tua, em todas as faces.
    O sorriso! Esse deves segurar, não o deixes ir embora, agarra-o!
    Quem amas? Guarda dentro de um porta jóias, tranca, perde a chave!
    Quem amas é a maior jóia que possuis, a mais valiosa.

    Não importa se a estação do ano muda, se o século vira
    conserva a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela.
    Abre todas as janelas que encontrares e as portas também.

    Persegue o sonho, mas não o deixes viver sozinho.

    Alimenta a tua alma com amor, cura as tuas feridas com carinho.
    Descobre-te todos os dias, deixa-te levar pelas tuas vontades,
    mas não enlouqueças por elas.
    Procura! Procura sempre o fim de uma história, seja ela qual for.

    Dá um sorriso aqueles que esqueceram como se faz isso.
    Olha para o lado, há alguém que precisa de ti.
    Abastece o teu coração de fé, não a percas nunca.
    Mergulha de cabeça nos teus desejos e satisfá-los.
    Agoniza de dor por um amigo, só sairás dessa agonia se
    conseguires tirá-lo também.
    Procura os teus caminhos, mas não magoes ninguém nessa procura.
    Arrepende-te, volta atrás, pede perdão!
    Não te acostumes com o que não te faz feliz,
    revolta-te quando julgares necessário.

    Enche o teu coração de esperança, mas não deixes que ele se afogue nela.
                  Foto: Google Imagens     
    Se achares que precisas de voltar atrás, volta!
    Se perceberes que precisas seguir, segue!
    Se estiver tudo errado, começa novamente.
    Se estiver tudo certo, continua.
    Se sentires saudades, mata-as.
    Se perderes um amor, não te percas!
    Se o achares, segura-o!
    Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala.
    “O mais é nada". 
                                                                                - Fernando Pessoa -


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Murmúrios do mar ...



Esta ternura que sinto pelo mar,
onde me refugio na gestão dos silêncios
seja no Inverno ou em mês de Agosto,
ou quando a melancolia respira ansiedade,
 estimula desejos, pelo seu cheiro e gosto,
feitos de maresia e de ilusória saudade
e não desisto de construir, sem desanimar,
pujantes falésias, como um filho do mar!

(O mar …)
esse mistério, de confins e assombros,
onde meus antepassados construíram sonhos.
Esta imensidão azul, sempre a aumentar,
que nos aproxima, mesmo a separar!

Sempre que o adivinho mais encrespado,
é porque se aliou ao vento tresloucado
mensageiro de irónicos destinos
de várias aventuras e outros desatinos!

Quando um dia, enfim, eu partir
para as estrelas que cintilam no céu
levarei comigo a vontade de vigiar
 esta doce ilusão de pressentir,
em dias claros, ou em noites de breu,
os serenos ecos dos murmúrios do mar

  Carlos da Gama
                  Fotos:         Carlos  da  Gama

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Solidão


Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo...
Isto é carência!
Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência
de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade!
Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe,
às vezes para realinhar os pensamentos...
Isto é equilíbrio!
Solidão não é o claustro involuntário que o destino
nos impõe compulsoriamente...
Isto é um princípio da natureza!
Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
Isto é circunstância!
Solidão é muito mais do que isto...
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma.
                                                                                                          Chico Buarque de Holanda
                  
                  Foto:         Carlos  da  Gama