Um espaço de liberdade, um sonho concretizado ... um correr mundo para viver e saborear a natureza. Aqui deixarei impressões misturadas em emoções. Este cantinho de mim procurará ser uma partilha de partidas e chegadas... porque o meu sonho foi, sempre, sempre, o de partir e chegar! Como dizia Alexandre O'Neill: «há mar e mar... há ir e voltar!». Pois.... sirvam-se, por favor!
sábado, 25 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Em frente deste mar…
| V.P.Âncora Foto: Carlos da Gama |
Em frente deste mar… de novo! Olho-o pela janela da minha Micha
e fico cheio de maresia. Este eterno rumor que teima em seduzir-me pela espuma
branca que deixa junto da rebentação.
Um pouco afastado e encimando uma rocha mais ousada estão os
pescadores. Lançam o isco para onde julgam melhor enganar os peixes incautos.
São teimosos e da cor do mar estes homens que sempre anseiam regressar aos seus,
devidamente equipados com boas novas trazidas em pequenas cestas de plástico.
Fumam, sempre, talvez para não sentir o passar do tempo. E aguardam pacientemente o estremecer da cana quando é aprisionado um peixe mais audaz.
Este lugar é eterno. Foi cá que habitamos sonhos de juventude
rebelde em tempos despreocupados. Foi para cá que trouxemos os rebentos em épocas de veraneio.
Hoje tudo é mudança. Estamos novamente regressados aos
tempos das mãos dadas. É o início da tarde e alongo o olhar para
junto das rochas onde bailam bátegas de um mar revolto.
Por ali, meio perdido,
almejo um corpo franzino, quase estático de olhar no horizonte. Imagino os
pensamentos de que se veste a alma daquela mulher. Moendo, talvez, inquietações
que carrega e imaginando-as levadas pelas ondas deste imenso Atlântico.
A vida, todas as vidas são o resultado de encontros e
desencontros. E penso que ela transpira emoções de encontros que cimentam a
relação familiar. Em frente deste mar… de novo!
terça-feira, 17 de julho de 2012
Sanlúcar de Barrameda
| Foto: Carlos da Gama |
Uma bela surpresa
esta instancia de veraneio da Andaluzia.
Pela luz que emana e pela presença do Guadalquivir
que ali se alarga até chegar ao Atlântico.
Confesso que, há chegada, alguma
perplexidade emergiu à vista de imensas grades nas portas e janelas das habitações,
dando uma sensação de insegurança. Mas a estadia foi serena e valeu bem pelo
sol e pelas paisagens de sonho que tivemos o ensejo de fruir.
A margem direita do
Guadalquivir é enriquecida pelo Parque Nacional de Doñana, declarado Património da Humanidade pela UNESCO no ano de 1994.
É um autentico
tesouro, quer ao nível da fauna e da flora, quer, ainda, quanto às suas espécies
autóctones e aos cerca de trinta quilómetros de praias selvagens que existem
entre o Rio Guadalquivir e Matalascañas. Tal facto torna-o na área protegida
mais importante de Espanha e numa das mais importantes da Europa.
| Foto: Carlos da Gama |
Pelo entardecer, a
marginal de Sanlúcar de Barrameda fica ainda mais bela e a temperatura amena atrai para ali
imensos jovens que se juntam em grupos de tertúlias até altas horas da noite.
E
foi bom sentir a brisa quente enquanto o sol se punha num horizonte
avermelhado, prenúncio de continuação de bom tempo na fantástica Costa do Sol, da
Província Autónoma de Andaluzia.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Marvão
Foto: Carlos da Gama
|
Já passaram mais de vinte anos desde que pousei o pé, pela
primeira vez, em Marvão, ainda na infância do cardume.
Lembro bem o quanto
aquele branco casario, pousado num promontório granítico e todo envolto por
pujantes muralhas, me fascinou.
Como hoje ainda me prende o olhar extasiado
este povoado alentejano que, passados tantos anos, não ousou sair do conforto
seguro dos muros em que se acolhe.
Ao chegar ali, dá vontade de estender o olhar pela planície
após a visão do casario que se acumula nas ruas de Marvão.
E repousar a alma
nos silêncios inquietantes do crepúsculo vestido de roupagens de verão.
E sabe bem acordar ao som do chilreio da passarada que demanda
aquelas paragens, criando no visitante uma saudade que o fará voltar a um dos
locais mais belos deste meu Portugal.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
A península dos ingleses
| Foto: Carlos da Gama |
Acabo
de chegar de um passeio a Gibraltar.
Foi um périplo na “Micha” que me levou até Marvão, Badajoz, Sevilha, Ronda, Algeciras, Jerez de la Frontera, Sanlúcar de Barrameda, Isla Cristina, Castro Marim, Quarteira, Praia da Rocha e Fátima.
Foi um périplo na “Micha” que me levou até Marvão, Badajoz, Sevilha, Ronda, Algeciras, Jerez de la Frontera, Sanlúcar de Barrameda, Isla Cristina, Castro Marim, Quarteira, Praia da Rocha e Fátima.
Já
há longo tempo que pretendia visitar aquele “Rochedo”, inserido na Península
Ibérica, que os ingleses dominam há cerca de 300 anos.
O território foi
cedido à Grã-Bretanha pela Espanha no Tratado de Utrecht celebrado em 1713,
como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola. No entanto, a Espanha
mantém a reivindicação sobre aquela parcela, o que é totalmente rejeitado pela
população gibraltina.
Gibraltar
é uma pequena península localizada no sul da Península Ibérica, com uma
superfície de 6.5 km², limitada a norte por uma estreita fronteira
terrestre com Espanha e, dos outros lados, pelo Mar Mediterrâneo, Estreito de
Gibraltar e Baía de Algeciras.
| Foto: Carlos da Gama |
Impressiona
todo aquele aparato de arame farpado que serve de fronteira e a mais que sentida brusca alteração de
mentalidade.
O visitante sente bem que chegou à Inglaterra, quer pela presença
da Royal Air Force (RAF), que faz questão de marcar a sua
presença com ruidosos voos (várias vezes ao dia), quer pela atitude dos
residentes, sua língua, arquitetura e estilo de vida.
Ali não faltam os típicos
autocarros de dois andares e as tão «british» cabines telefónicas.
Nos
tempos de Franco, as fronteiras do “Rochedo” estiveram encerradas, dificultando
a vida aos seus cerca de 30 mil habitantes. A passagem de pessoas e bens voltou
a ser possível em 1985, pelo que são muitos os que demandam aquele pequeno mas
interessante território.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Viajar cura a melancolia
Foto: Carlos da Gama |
« Um dia li num livro: “Viajar cura a melancolia”.
(…)
Os anos passaram – como se apagam as estrelas cadentes – e, ainda hoje, não sei se viajar cura a melancolia. No entanto, persiste em mim aquela estranha impressão de que lera uma predestinação.
A verdade é que desde os quinze anos nunca mais parei de viajar. Atravessei cidades inóspitas, perdi-me entre mares e desertos, mudei de casa quarenta e quatro vezes e conheci corpos que deambulavam pela vasta noite… Avancei sempre, sem destino certo.
(…)
Hoje sei que o viajante ideal é aquele que, no decorrer da vida, se despojou das coisas materiais e das tarefas quotidianas. Aprendeu a viver sem possuir nada, sem um modo de vida. Caminha, assim, com a leveza de quem abandonou tudo. Deixa o coração apaixonar-se pelas paisagens enquanto a alma, no puro sopro da madrugada, se recompõe das aflições da cidade.
A pouco e pouco, aprendi que nenhum viajante vê o que outros viajantes, ao passarem nos mesmos lugares, vêem.
O olhar de cada um, sobre as coisas do mundo, é único, não se confunde com nenhum outro.
Viajar, se não cura a melancolia, pelo menos, purifica. Afasta o espírito do que é supérfluo e inútil; e o corpo reencontra a harmonia perdida – entre o homem e a terra. O viajante aprendeu, assim, a cantar a terra, a noite e a luz, os astros, as águas e a treva, os peixes, os pássaros e as plantas. Aprendeu a nomear o mundo. »
(''O anjo mudo'', Al Berto)
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Lugar favorito!
| Foto: Carlos da Gama |
Quando o
tempo não se faz notar
e a vida ganha
uma pele de veludo,
é chegado o
momento de encerrar
rotinas,
sonhos, estratégias … tudo!
Quando
celebramos a frescura do mar
mesmo se o
pressentirmos medonho,
sorvemos toda
a aragem que traz o ar
com o
fascínio de que é feito o sonho!
Este velho
tempo em que carregamos
fragrâncias e
vivências sem nostalgia,
vai perdurar
nos frutos que deixamos
misturados
com luz de intensa magia!
Aquelas aves
que esvoaçam liberdade
à boleia dos
ventos, rumo ao infinito,
mais que mensageiras
desta saudade
confirmam o
mar como lugar favorito!
Carlos da Gama
domingo, 10 de junho de 2012
Regresso ao mar!
Percebia-se
inquietação no olhar.
Já há um bom tempo que magicava ao redor dos segredos da vida, desde o nascer ao perecer.
Já há um bom tempo que magicava ao redor dos segredos da vida, desde o nascer ao perecer.
Achava que tinha já cumprido a missão que
garantia a continuidade do genes para além da sua existência.
Por
momentos, deixou que a memória lhe relembrasse alguns dos quadros mais
impressivos que tinha pintado ao longo dos anos: do nascimento, em ambiente de
economia modesta, aos afetos maternos da infância; da adolescência, meio
submersa por contextos de regras e liturgias de fé, à juventude, traída por uma
iníqua guerra ultramarina; da formação universitária, que lhe abriria portas de
liderança, à escolha da companheira de toda a vida; dos rebentos, que foram
emergindo dos afetos partilhados, ao agreste, mas conseguido, percurso
profissional; do acompanhamento presente na formação do cardume à descoberta do
mundo com o iglô na bagageira; do início do alargamento da família nuclear,
pelas escolhas do cardume, ao (...)
Foram tantos momentos doces que iludiram a
passagem do tempo!
| Foto: Joana Carvalho |
Até que chegou o momento de outras decisões que a natureza humana não consegue controlar.
Ele sabe bem o quão difícil é falar, ao seu cardume, do fim dos tempos em cada ser humano.
Mas é imprescindível que aconteça, mais cedo que tarde.
Daí que não se inibia de chamar esse assunto para o seio das conversas familiares, procurando sublinhar o inexorável ciclo da natureza.
Sem
dramas, nem pieguices ou piedosas intenções, queria deixar bem claro que, após
esta passagem, preferia o seu corpo purificado pelo fogo, seguido do
espalhamento das cinzas pelo único lugar que lhe garante acolhedor refúgio: o
mar!
Com a certeza de que o seu espírito permanecerá desperto na estrela avistada pelo cardume em cada dia que passa.
Será, de certo, uma vigília de afectos após o merecido regresso ao mar!
Com a certeza de que o seu espírito permanecerá desperto na estrela avistada pelo cardume em cada dia que passa.
Será, de certo, uma vigília de afectos após o merecido regresso ao mar!
Carlos da Gama
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Memórias da Ria
| Foto: Joana Carvalho |
Aportamos no Parque de S. João do Canal de S. Roque já o dia
se esgotava no horizonte. Ficamos de frente para a cidade de Aveiro e com a Ria
aos nossos pés.
A noite foi misturada com as típicas manifestações ruidosas
de fim-de-ano estudantil, amaciada pelo rumor acolhedor das batidas da chuva que
embalaram a madrugada quente no interior da Micha.
A manhã surpreendeu-nos com um sol aberto que convidava a um
passeio pela «Veneza Portuguesa». E foi bom de rever o colorido dos moliceiros,
quase todos adornados com chalaças brejeiras tão típicas das nossas gentes.
Sem dúvida que Aveiro deve todo o encanto às águas que
acompanham as suas principais artérias. Por seu turno, a pacatez sentida daquele
dia deveu-se ao feriado comemorativo do «Corpo de Deus» que os liberais
pretendem abolir no próximo futuro.
Depois da Ria… um imenso oceano nos esperava, oferecendo as
suas praias desertas num belo dia de sol. A Costa Nova é um local paradisíaco,
onde se respira maresia em abundância e se frui de uma paisagem de beleza ímpar.
Um local tão aprazível que apetece ficar por muito tempo.
| Foto: Carlos da Gama |
Este Atlântico, casa de vida e de sofrimento, com águas sempre
remexidas, como que esconde o assombro da grandeza do seu abismo e da magia que
encerra.
Ali, dei comigo a pensar no significado daquele imenso lago que se
tortura constantemente vertendo gemidos que mais parecem manifestações de raiva
da sua força gigantesca.
A praia está ainda deserta, aguardando a invasão do veraneio.
Mas a Costa Nova é de todo o ano. A sua luz tão clara e o típico colorido e arquitectura das suas casas emprestam-lhe um pitoresco tão genuíno que induz ao
visitante um ambiente de contínua festa.
Ali é possível, também e a toda a hora, fruir dos sabores de uma
gastronomia enriquecida tanto pela ria como pelo mar. E fruir dos cheiros da típica
flora da orla costeira que nos entra pela alma dentro logo à chegada.
Por isso é que apetece ancorar por ali para espairecer a
vida, refrescar a alma e repensar o futuro.
Carlos da
Gama
quarta-feira, 6 de junho de 2012
"Com esta escrita descobri uma
coisa em que nunca tinha pensado, é que o bem mais precioso do homem é a memória."
José Cardoso Piressexta-feira, 1 de junho de 2012
Caminha
| Foto: Carlos da Gama |
Chegamos a Caminha pela manhã
trazendo de Cerveira um tempo de cara azul e sons de calmaria.
Caminha, bela cidade que tem o
estuário do Minho como paixão maior que a veste de uma beleza rara.
Caminha é também um concelho
que não trata bem o autocaravanismo já que não oferece qualquer local
apropriado para esta crescente modalidade de turismo ecológico.
Apesar de tudo, ousamos parar
na margem do Minho, de frente para terras de Espanha. Daqui avista-se uma das
mais lindas paisagens do litoral norte português.
Está um tempo quente e o azul
que está a nossos pés é avassalador. Ouve-se, de quando em vez, o som arrastado
do Ferryboat que transporta pessoas e bens entre as duas margens de ambos os
países da ibéria.
Ao largo do estuário repousam coloridos
barcos de recreio, aguardando, quem sabe, o fim-de-semana para se fazerem rio
acima.
Estamos quase no final de uma
viagem que nos levou a Orense, Corunha, Finisterra, Noia, Sanxenxo, Pontevedra
e Cerveira. O resultado é promissor para outras mais ousadas viagens para
além-fronteira. Assim seja!
Carlos da Gama
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Aqui!
Junto
da catedral
dos
sonhos de uma vida
normalizada.
Perto
de uma voz
emudecida
mas
não calada!
Nostalgia
de vento
que
transporta
versos
frescos do relento.
Vida
sem norte
plena de brisa
do
vento forte
que
deambula sem sorte!
Caminho
lentamente
perto
da felicidade
que
desmente
esta
espuma sem idade!
Sorrisos
ténues de dor
que
se faz todos os dias
numa
orgia multicolor
com
cheiro a malvasias!
Sempre
esta incógnita
que
trespassa o imaginário
duma
continua fé indómita
deste gesto solidário!
Sensaboria
de rotinas
com
passagens serenas
por
águas puras cristalinas
que
escorrem pelas arenas.
Aqui!
Carlos da Gama
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