Um espaço de liberdade, um sonho concretizado ... um correr mundo para viver e saborear a natureza. Aqui deixarei impressões misturadas em emoções. Este cantinho de mim procurará ser uma partilha de partidas e chegadas... porque o meu sonho foi, sempre, sempre, o de partir e chegar! Como dizia Alexandre O'Neill: «há mar e mar... há ir e voltar!». Pois.... sirvam-se, por favor!
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Tempo de pousio ...
Mozart, Beethowen, Vivaldi ou Wagner? Apenas confirmo que a música
clássica, que brota da Antena 2, é duma pureza e harmonia que me envolve por
inteiro.
Está uma manhã levemente molhada por uma chuva miudinha, nativa de um
céu cinzento. Não há vento a remexer as escassas folhas do plantio em redor, nem
vivalma a deambular pelo povoado.
Ao largo, o rio corre, taciturno, para poente, cintilando à
superfície e reflectindo a penumbra bucólica de águas pardacentas, bordadas
pelo verde dos campos e pelo escasso casario de cores mortiças.
O silêncio desta pitoresca paisagem empurra-nos para um estádio de
alma onde a melancolia da memória se desfaz em horizontes de esperança.
É, sempre, para cá que regresso, quando a saudade busca os afectos
que desejamos partilhar.
É por aqui que liberto as inquietações na expectativa
de que se embalem nas águas, até à foz, e se dissipem pelo largo oceano.
É aqui
que procuro moer as vicissitudes que a vida sempre nos reserva.
O inverno é um excepcional tempo de vigília e de ausências. É o
tempo de pousio onde se estruturam as utopias que dão sentido à vida. É,
também, um tempo de introspecção sobre os caminhos já percorridos. É neste
tempo que semeio sonhos e aventuras, a concretizar em dias luminosos de
primavera.
Os sons dos clássicos acompanham-me por entre as sombras desta
época sugerindo uma paz inquietante e nostálgica. Talvez porque a nostalgia é
um mar que amo navegar.
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sábado, 2 de janeiro de 2016
Valeu a pena!
A rádio «nostalgia» debita
melodias com mais de quatro décadas, nesta tarde cinzenta e frágil do último
dia do ano. Nostalgia positiva é, também, o estado anímico de que estou
investido, postado na margem direita do Cávado, em Esposende.
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| Google Imagens |
Ao estender o olhar pelo estuário
verde, que se alinha à minha frente, uma série de pensamentos, vindos de longe,
emergem na minha alma. Quase todos feitos de saudade dum tempo que está a
findar. Apenas alguns de estupefacção pelas histórias surpreendentes e
inesperadas em que me vi embrulhado.
2015 foi, por certo, um ano
atípico na minha vida. Quando me achava lançado numa estrada de contornos
previsíveis e de metas alcançáveis, tudo se altera a certo momento. Habituado a navegar em mansos rios
de afectos, é por aí que, no início do ano, se concentra o esforço para não perder
o rumo que sempre norteou a minha vivência. Tudo foi feito para que esse
ambiente sadio se transformasse em cimento de emoções perenes.
2015 foi, também, um tempo de
fresca saudade. Por muito que se encare com naturalidade os ciclos da
existência humana, não é fácil perder a referência maior. Não é fácil!
Por último, 2015 foi de abertura
de uma confidência que já o não era há muito, muito tempo. Mas, o impulso que me chegou,
há alguns dias, foi a constatação de que o ser humano tem fragilidades que o
tempo sempre acabará por conferir.
Há muito que a ébria efabulação de um dos
nossos, que só em parte nos pertence, era do conhecimento do interessado.
Mas esse facto fora sempre ignorado no seio da turma em nome da sagrada dignidade
da fonte de ternura e afectos e, mais proximamente, da memória de saudade
que se espalhou como um estigma insanável.
A serenidade perante certas
histórias da vida real, que nos prende a existência como
humanos, vale pelo que ganhamos em afectos e sorrisos. E, apesar de tudo, acho
que valeu bem a pena!
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
BOM ANO !
O homem tem por hábito dar um especial relevo à passagem do último
dia de Dezembro e o primeiro de Janeiro. E faz questão, quase sempre, de
ambicionar um novo ciclo de sucesso e bem-estar.
Alguns socorrem-se dos astros, bruxas, cartomantes e quejandos
vários para antever o futuro próximo. Depois, ao longo do ano, esquecem tudo o
que foi previsto e enfrentam a vida com a resignação de sempre.
Quando a idade fica mais madura, as escolhas são de outra índole:
foram-se as ilusões do tempo verde e navegamos mais na construção de silêncios.
E as companhias que mais procuramos são os afectos de proximidade.
O ano está quase no fim. São dias agitados, de grande rebuliço
pelas catedrais do consumo. Repetem-se as liturgias de sempre. Vêm-se olhares
mais ternos e sorrisos acolhedores neste tempo de natal e fim de ciclo.
As descortesias das últimas semanas não conseguem turvar o conforto do
calor humano. O tempo já passado aviva a realidade de que a vida é uma viagem
de encontros e desencontros. Mas o que mais importa é a viagem e os que se querem
manter na carruagem feita de emoções e afectos.
Para todos, BOM 2016 !
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
A importância do futebol
A tarde
já ia a meio. Acabamos de chegar às portas da cidade e não tínhamos
qualquer referência onde estacionar e pernoitar.
Avistamos um posto de polícia
e parámos. Ao sair da autocaravana, percebi o olhar surpreso dos agentes
que conviviam do lado de fora do posto. Dirigi-me a eles e procurei saber onde
poderia estacionar.
Já com a descontracção visível em seus rostos, fomos
encaminhados para um parque próximo dali, junto ao «Centre Commercial Acima». Estávamos
em Beni-Mellal, cidade situada no sopé do monte Tassemit, entre a cordilheira
do Médio Atlas e a planície de Tadia.
Após um
curto tempo de descanso e de estudo do local, deslocamo-nos até ao centro da
cidade para perceber o seu carácter e observar o seu modo de vida. E não demos
o tempo por
perdido.
A medina, no coração da cidade velha, tem a feição
de outras cidades e vilas marroquinas: ruas estreitas e escuras sempre cheias
de gente e onde se vende de tudo um pouco.
Impressionou-me a pobreza de algumas
bancas que apenas vendiam pequenas porções de peixe frito e outras ninharias
culinárias expostas ao sol e ao imenso pó levantado dos caminhos de terra pelos
transeuntes.
E, mesmo esses humildes locais de venda, tinham clientes que, por
uns escassos dirhams, matavam a fome.
São ruas onde não existe o conceito de higiene, sobretudo,
nas bancas de peixe e de carne, onde as moscas se passeiam aos magotes sem
qualquer manifestação de incómodo, quer por parte dos vendedores, quer dos
compradores. O mesmo acontece nas bancas de venda de pão, muitas vezes colocado
em pilhas nas soleiras das portas para cliente ver, apalpar à vontade e levar
aquele que melhor satisfaz a sua mirada.
Considerada uma das cidades mais importantes do
centro de Marrocos, Beni-Mellal é, também, uma cidade histórica e moderna, com
o seu castelo de quatro torres rodeado de amplos jardins e fontes.
Ao cair da noite, fomos abordados por dois jovens
que manifestaram simpatia pelo facto de sermos compatriotas de Figo, Coentrão e
Ronaldo, ícones do futebol mundial. Brindaram-nos com dois postais ilustrando as
melhores vistas da cidade e neles colocaram os respectivos telefones na
eventualidade de virmos a precisar enquanto aí estivéssemos. Este episódio ilustra,
na plenitude, a importância do futebol para as relações de amizade entre os
povos, por mais distantes que sejam.
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Beni-Mellal; Viagem a Marrocos; Marrocos
domingo, 11 de outubro de 2015
Por que viajamos
«Nós
viajamos, em primeiro lugar, para nos perdermos; e, em seguida, viajamos para
nos encontrarmos. Nós viajamos para abrirmos nossos corações e olhos e para
aprendermos mais sobre o mundo do que aquilo que nos é noticiado pelos nossos
jornais.
Nós viajamos para trazermos um pouco do que pudermos,
em nossa ignorância e conhecimento, daquelas partes do globo nas quais os ricos
estão diversamente dispersos. E nós viajamos, em essência, para nos tornarmos
jovens tolos novamente - para diminuir a velocidade do tempo e absorvê-lo, e
nos apaixonarmos mais uma vez.»
Por que viajamos – Pico Iyer
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Versos inquietos
Emergem flores aos molhos
No rio
dos meus desejos
Para escrever em teus olhos
Poemas
quentes de beijos!
Por vezes a vida emudece
Com a razão
em ruptura
Ai, a
teia que o tempo tece
Em desordem
com a ternura
Ó memória
terna de afectos
O tempo moeu-se em instantes
Subsistem versos
inquietos
Mas nada será como dantes!
domingo, 20 de setembro de 2015
A vida gasta-se!
E o que estamos a gastar é tempo de
vida, porque quando compramos algo não o compramos com dinheiro, pagamos com o
tempo de vida que tivemos de gastar para ter esse dinheiro. Mas com esta
diferença: a única coisa que não se pode comprar é a vida.
A vida gasta-se. E é
lamentável desperdiçar a vida para perder a liberdade."
José Mujica, ex-presidente do Uruguai
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segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Oeste ...
| Lagoa de Óbidos |
À entrada do
Parque de Autocaravanas da Foz do Arelho, uma surpresa: está a funcionar uma
recepção onde se é recebido com simpatia e se faz a inscrição e o pagamento da
estadia.
São notórias
melhorias na oferta de condições, já só faltando a disponibilização de pontos
de electricidade e investir, um pouco mais, na higienização das estruturas
sanitárias.
| Foz do Arelho |
Apesar das
cerca de cinco dezenas de autocaravanas já instaladas, foi possível estacionar de
frente para a lagoa, tal a dimensão do espaço disponível. O sol faz parte de um
cenário magnífico de um dos locais mais belos da zona oeste do meu país.
Já por aqui
estive várias vezes sem conta. Apaixonei-me por esta região quando, pelos meus
vinte anos, iniciei a obrigatória fase militar no quartel das Caldas da Rainha.
Foi nesse tempo que descobri e admirei a rota turística de grande qualidade
composta por Peniche, Óbidos, Foz do Arelho, S. Martinho do Porto e Nazaré.
| Foz do Arelho |
Mais tarde,
por cá veraneei, na adolescência dos meus filhos, ficando alojados nas
magníficas instalações do Inatel, cujo edifício principal foi propriedade do
filantropo, do início do século XX, Francisco Grandella.
Este
industrial dos famosos «Armazéns Grandella», construiu este palácio situado um pouco mais para o interior, debruçado sobre a lagoa de Òbidos, ao estilo neo-manuelino, muito ao gosto da época, e a escola primária que ainda hoje funciona na Foz do Arelho.
| S. Martinho do Porto |
Reparo que a
lagoa está em grande transformação, quer das suas margens, quer do próprio
leito, criando melhores condições para a sua fauna e flora, bem como para os
pescadores locais que vivem do que conseguem retirar da lagoa.
O tempo tem
estado quente e ensolarado, convidando a um passeio pelas margens da lagoa e
redondezas das Freguesias Foz do Arelho e Nadadouro. Espera-se que assim
continue!
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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Afectos de proximidade!
Um passeio
pela praia, ao entardecer, é sempre um exercício de reflexão solitária. Os
pensamentos voam como o vento que acaricia o rosto quente por um sol de estio.
Pousamos o olhar no mar, até ao horizonte, e uma sensação de liberdade entra por
nós adentro impelida por um desejo de correr de braços abertos para que a magia
do momento se eternize.
São momentos propícios a evocar
episódios vividos com intensidade, há mais ou menos tempo.
Sobretudo, quando o inesperado nos toma por inteiro e imprime marcas profundas e perenes na alma, fazendo a vida ganhar novo sentido.
Sobretudo, quando o inesperado nos toma por inteiro e imprime marcas profundas e perenes na alma, fazendo a vida ganhar novo sentido.
Ora, o
desaparecimento de um dos nossos familiares mais queridos, apesar de expectável pelo tempo vivido, é sempre um momento único de dor e angústia onde
a racionalidade se perde num emaranhado de emoções difíceis de controlar.
Os primeiros
tempos são de incompreensão sofrida pelo desenlace a que se segue uma contida
raiva contra o destino comum, a começar pelos nossos maiores. Depois, o tempo
encarrega-se de nivelar emoções e injectar doses de resignação, muitas vezes
alojada em crenças num reencontro futuro.
Ruminava
tudo isto, há momentos, durante a caminhada junto ao mar de Porto Covo, na
companhia de um pôr-do-sol de cores quentes. Mas era a forma como cada um de
nós se confronta e reage, perante a adversidade, que mais puxava a minha reflexão.
Diz-se, e eu
acredito, que não há maior dor que o desaparecimento de um filho. Mas também
asseguro que não há menos dor quando a nossa mãe decide partir em direcção ao
infinito. Porque é a ela que lhe devemos a vida e a aprendizagem da ternura e dos
afectos que nos qualificam como seres humanos.
Por isso, e
não só, sempre pensei que um imprevisto desses funcionaria como cimento, ainda
mais agregador, dos filhos, sobretudo quando, até aí, os humores de alguns nem
sempre foram consequentes.
Seria impensável, para mim, que uma tragédia daquelas
originasse uma maior separação dos que, até então, estavam unidos, quer na
amizade fraterna, quer na atenção com o ser que nos gerou.
A ser assim,
quero acreditar tratar-se de um paradoxo do destino, de um absurdo, de uma
nova provação, de um equívoco ou seja lá o que for.
Não se compreende, de todo, a
postura de negação que se sobrepõe à continuidade do espírito gregário que,
indiscutivelmente, sempre foi o anseio do maravilhoso ser humano que nos
deixou.
Ao longo da
minha vida, aprendi que se leva
anos para se construir confiança e apenas segundos para a destruir.
Ainda
assim, acredito que o tempo faz sempre o seu caminho, qualquer que seja a
distância e a circunstância. Sobretudo quando estão em causa afectos de
proximidade. Oxalá!
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quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Luminosidades …
Lagos é, para mim, a cidade da luz.
Porque a larga
avenida, que nos conduz até à fortaleza, é abrigo da marina que se caracteriza
pela brancura do seu edificado e dos iates que ali buscam guarida;
Porque o Mercado Municipal reflecte uma maior
luminosidade desde que a Sophia de Mello Andersen escreveu, a propósito do mercado
de Lagos, onde fazia compras em tempo de férias: «Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que
encontrares, em frente da terceira banca de pedra, compra peixe».
Porque o
centro da cidade é um rendilhado de ruas, mais ou menos alongadas e apertadas por
um alvo casario de construção centenária;
Lagos é uma
bela cidade que gosto de visitar sempre que o Algarve é destino de viagem.
É
dali que, quase sempre, regresso a casa percorrendo a costa alentejana.
Desta
vez, a primeira paragem é em Almograve.
Caminhamos
alguns quilómetros junto ao mar, admirando as águas límpidas do oceano e o rendilhado
das baixas arribas, revestidas de lajedo, de corte longitudinal, parecido com a
ardósia.
Seguimos, depois, para Porto Covo, simpática Vila,
também ela de uma enternecedora brancura, não estivéssemos no Alentejo
profundo.
Apesar de o verão estar quase velho, são ainda
muitos os veraneantes que procuram este local.
O dia está bem ensolarado, mas sem castigar.
Ao longe, avista-se a «Ilha do Pessegueiro»,
romanticamente cantada por Rui Veloso, numa trova que nos embala, apesar da
trágica história de amor, de tempos imemoriais, que relata.
Mas, mais do que palavras, deixo-vos algumas fotos,
como sempre acontece nos post’s que
publico. Porque, como escreveu José Cardoso Pires, no livro «E agora, José?», «… a fotografia vê o que o olhar não abrange,
aquilo que a nossa atenção visual deixa escapar ou esquecer».
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