sexta-feira, 29 de julho de 2011

Até ao novo estio …





Hoje, poderia falar do clima deste meu país, quentinho de verão! Ou de «Que fazer quando tudo arde?» do António Lobo Antunes. Ou falar de metamorfoses... naturais e humanas.
Falar, ainda, de que não tenho avistado a lua... talvez por ela se sentir em fase nova e a timidez seja o seu refúgio de mocidade. Esperemos que fique mais cheiinha e aí surgirá em todo o seu esplendor!
Gosto de a ver nas manhãs quentes do verão, ainda com o céu sonâmbulo, pintado de azul anil. Acho que, assim, o dia inicia-se mais iluminado e cresce a vontade em me distender pelas estradas largas das rotinas de sempre. Fica mais leve esta vida de encontros e desencontros. Em que, como geme a cantiga: «ninguém é de ninguém!».

Mas, falar em metamorfoses traz-me à memória alguns sons da minha infância. Mais concretamente, a lembrança das melodias saídas, nas tardes longas e quentes do estio, de uma generosa poça de água existente, à época, junto da casa da família.
Pela calada da noite, ouvia-se um trilhar de sons de milhares de rãs e girinos, como que a confirmar uma vivência feliz, apesar de servirem de alimento aos galináceos que, pelo entardecer, se dirigiam àquela terra prometida onde se banqueteavam, a modos de uma orgia romana. Dali, só regressavam de papo cheio.
Mas, à medida que a seca ia avançando, aquela fonte iniciava um percurso de redução de água... e os sons ficavam cada vez menos estridentes. Até que o mutismo denunciava que a vida se extinguia de vez. Até ao novo estio!

                  Fotos: Google Imagens      

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Joaninha, voa ... voa !






Após o convivio social e de preparação para a vida ...










... chegou o tempo de enfrentar o próprio projecto, com coragem e sem medos!



O sucesso está em conhecer o terreno que pisamos e os «animais» com quem nos confrontamos....
Sempre confiar ... desconfiando!

Beijos
                  Fotos: Google Imagens         

quarta-feira, 27 de julho de 2011

prenúncios de morte ...



No passado fim-de-semana houve prenúncios de mortes violentas, inesperadas ou nem tanto assim: Amy Winehouse, dezenas de jovens noruegueses e alguns americanos.
Sinais de que o mundo mostra-se cada vez mais cansado da vida e prefere os caminhos da morte.
Amy era uma estrela que ameaçava desprender-se do firmamento a qualquer instante. Nos escassos anos de vida comportou-se como se estivesse só no mundo! Apesar das multidões que a idolatravam, sentia-se só! E foi a vivência dessa solidão que a fez pensar no sentido da vida e na libertação de todos os seus fantasmas pela morte. Merece respeito, por essa manifestação de lúcida dignidade. Gostei de a ver na loucura breve em que se detinha. Admirei a sua voz de sonho. Não admira, pois, que tenha preferido novas dimensões para se manifestar em todo o esplendor.
Na Noruega, um demónio à solta calou os rumores de uma ilha de maresia e fez estremecer o centro de Oslo. A vida debateu-se, por momentos, num breve confronto com a bestialidade humana. Fruto de uma doentia visão do mundo. Imperdoável o gesto premeditado de se sentir dono da vida de alguém. Na América, repetiu-se o pesadelo do costume. Nada mais do que já não estejamos acostumados.

Carlos da Gama
                   Fotos: Google Imagens         

Há momentos assim …



Há momentos assim: é chegada a hora
Do tempo em que a vida é de melancolia
Feita esperança dos teus beijos quentes!
Esta nostalgia das fragrâncias de outrora
Leva-me com o vento numa viagem tardia
Sempre assombrado por desejos ardentes!

Há momentos assim: rarefeitos de morte
Toldados com manhãs de luz oprimida
Por estradas cruzadas, mas sem direcção!
Por elas caminho sem rumo e sem norte
Correndo veloz pelas esquinas da vida
Na busca do futuro que está mais à mão!

Há momentos assim: em que apetece partir
Carregando maresia numa mochila ausente
Fazendo da aventura meu porto e destino!
Fintando a vida com uma ousadia a fingir
Sinto-me mais solitário no meio da gente
Preferindo os sons dum cais clandestino!

Há momentos assim: em que procuro em vão
Nas palavras que escrevo, em versos perdidos
Refúgio para esta alma inundada de dor!
Sinto-me num abismo que incute atracção
Não vislumbro sintomas melhor definidos
Na inquieta tormenta de que sou portador!

 Carlos da Gama
                   Fotos: Google Imagens         

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Estio …



















Não sei o que faço aqui
Sem vontade de escrever
Neste tempo cor de azul
Esta necessidade de ti
Que perturba o meu viver
É sonho vindo do sul

Procuro encontrar a rima
Que desperte o teu sorriso
Como o vento faz ao mar
Ele é luz que me ilumina
E a direcção que preciso
Para em ti poder navegar!


 Carlos da Gama
                   Fotos: Google Imagens         

domingo, 24 de julho de 2011

Kseniya Simonova - Sand Animation (Україна має талант / Ukraine's Got Ta...

Vale a pena ver.
Kseniya Simonova foi a vencedora da edição Ucraniana do Got Talent.
Na final, ao vivo, fez uma animação da invasão da Alemanha na Ucrânia durante a Segunda Guerra Mundial, tendo usado os dedos e uma superfície com areia.
Foram 8 minutos maravilhosos que demonstraram um talento especial e trouxeram, através da arte, a memória viva de uma guerra que marcou várias gerações.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim
O que é que eu posso fazer?"
BETHANIA

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sbastião Antunes - Sabes eu também

Estava difícil combinar um café, mas desta vez lá foi
Talvez possamos falar do que já lá vai que as vezes ainda dói
Da coragem esquecida que já se perdeu
quem deixou por dizer foste tu ou fui eu
da lembrança guardada num canto qualquer
da palavra apagada por não se entender
e dizer-te num gesto mais enternecido
Sabes, eu também ando um bocado perdido.

Vou preparar-te um jantar, concerteza vou ser original
E vou escolher-te um bom vinho. Tu sabes, nunca me saí mal
Vou falar-te das voltas que a vida trocou
Das verdades que o tempo já entrelaçou
Entre sonhos queimados lançados ao vento
Entre a cor de um sorriso e o tom de um lamento
E dizer-te de um sopro empurrado pela sorte
Sabes, eu também ando um bocado sem norte

Olha, não fiz sobremesa. Deixa lá, fica para a outra vez
Vamos deixar mais um copo a falar dos quês e dos porquês
Uma historia que nos apeteça lembrar
Um episódio que nunca nos deu para contar
Um segredo guardado p’lo cair do pano
Um encontro marcado no cais do engano
E dizer-te na hora em que a voz fraquejar
Sabes, eu também me apetece chorar

E vou chamar um táxi. É hora p’ra te levar a casa
Era suposto um de nos nesta altura ficar com a alma em brasa
Mas a vida é assim, não aconteceu
Pouco importa dizer, foste tu ou fui eu
O que importa é o abraço que estava por dar
Há-de haver uma próxima e mais um jantar e
E dizer-te a sorrir já passa das três
Dorme bem, quem sabe … um dia talvez.
Sebastião Antunes

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Onde está a razão, afinal?





Numa das recentes viagens pela imensa blogosfera, dei de caras com a imagem que aqui coloco e que me perturbou intensamente.
Nela podemos observar um homem, de condição visivelmente frágil, na cama de um hospital, partilhando afectos com o seu amigo de quatro patas. Porventura, na derradeira despedida do único ser vivo merecedor da sua atenção.
O meu olhar fixou-se, perplexo, em todo aquele contexto, que sugere imensas leituras e legitimas interpretações. Desde logo, inquieta profundamente o abraço entre aquele homem, debilitado pela doença, e o seu cão, de pose meiga e tranquila. Indiscutivelmente, um amigo fiel. O único amigo?

É, sem sombra de dúvidas, um retrato de grande intimidade que desperta para uma sublime amizade e genuína dedicação entre dois seres, alegadamente, de diferentes racionalidades.
O retrato sugere, de igual forma, que quando, pela velhice, passamos a ser um problema para os outros, cresce em nós um vazio de emoções, que se espalham pela penumbra dos dias, a ponto da vida deixar de ter sentido.
E apetece confirmar que, na sociedade em que vivemos, quando tudo se desmorona à nossa volta, quando os afectos humanos desaguam no mar da solidão, o recurso mais fiel e leal é o nosso animal de estimação. Isto acontece todos os dias ao nosso lado, sem qualquer sinal de embaraço da nossa alma.

São muitas as palavras e respectivos contextos que esta imagem desperta em mim: valor da vida, melancolia, solidão, final anunciado, fidelidade canina, afectos partilhados, despedida serena e final de linha. Mas, também, espera silenciosa, saudade do futuro, lealdade desinteressada, amizade pura e dedicação garantida.
Nesta autêntica balada de afectos, a postura serena daquele animal parece confirmar ao seu dedicado amigo: «Aqui estou!», «Não te abandono!» e «Conta comigo!».

Depois de «ler» esta fotografia, apetece meditar sobre a irracionalidade da espécie humana - que se arroga de ser a única portadora de racionalidade -, em esquecer os seus semelhantes quando estes apenas «dão prejuízo».
E, em contraponto, entender a razão porque o cão se liga ao homem pelos laços de enternecedores desvelos, mesmo quando este o transforma em escravo dos seus caprichos. Onde está a razão, afinal?


                Carlos da Gama
                                         Foto: Google Imagens